Autor: Carlos Santiago
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Metrô Rio é Condenado a Pagar Indenização aos Pais de Gabriela



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O Metrô Rio foi condenado a pagar uma indenização de R$ 150 mil a Carlos Santiago pela morte de sua filha, a estudante Gabriela Prado, de 14 anos, durante um assalto numa estação do metrô em 2003. A decisão saiu na terça-feira (14) e é da 12ª Câmara Cível do Rio. Ele disse que recebeu a notícia "com tranqüilidade".

Procurada pelo G1, a assessoria do Metrô Rio informou que vai aguardar a publicação oficial da decisão para se pronunciar sobre o assunto. Ainda cabe recurso.

"A grande vitória foi a condenação dos réus. A decisão de receber e atribuir valor à morte de alguém é muito estranha. Não me senti bem quando saiu a indenização", diz Carlos Santiago.

Para ele, a decisão dos desembargadores foi sábia, mas não gratificante.

“Esse processo indenizatório não era nosso objetivo principal. Mas é preciso imputar responsabilidade a todos os órgãos causadores de violência.
 
E nesse aspecto, um dos desembargadores foi sábio ao dizer que o Metrô não foi o causador do fato, mas facilitou pela precária segurança que tinha. O próprio desembargador lembrou em sua decisão o que um dos réus disse: "desci, vi que dava para fazer e chamei os comparsas". "Uma simples blindagem da bilheteria, como já é em outras cidades, teria evitado toda esta tragédia", disse Carlos Santiago.

Dinheiro Será Usado no Movimento



Quando Gabriela morreu, Carlos Santiago trabalhava como psicólogo, mas atualmente dedica 90% do seu tempo ao movimento Gabriela Sou da Paz , que fundou com a esposa, falecida em setembro deste ano. O dinheiro será usado na causa.

“O objetivo da Cleyde sempre foi ter mais condição e liberdade de trabalhar com o movimento. A gente se descapitalizou muito. Nunca recebemos recursos do governo. Sempre bancamos o movimento. Com a indenização vamos ter uma tranqüilidade maior para dedicar ao movimento”.

A sentença favorável, no entanto, está longe de ser motivo de felicidade. “A indenização foi merecida, mas não é uma coisa que você queria. Mas sei que tem que ter a reparação, senão vira esculhambação”, defende.

Carlos Santiago diz que está sendo difícil superar a morte inesperada de Cleyde.

“Evidentemente que quando a Gabriela morreu, nunca senti nada tão pesado. Me senti derrotado. Quando a Cleyde partiu também foi estranho. Ela conseguiu fazer com que eu entendesse essa coisa toda que a Gabriela deixou pra gente. Ela segurava muito a minha onda. Tinha dias que era como se tivessem tirado o meu chão. Com a sua morte, ainda estou meio sem rumo, em stand by. É complicado.

Cinco Réus, Cinco Condenações



Os cinco homens que participaram do assalto a uma estação do metrô na Tijuca, Zona Norte do Rio, em 2003, que culminou num tiroteio em que morreu a estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro, foram condenados pela juíza Andréa Fortuna Teixeira, da 35ª Vara Criminal do Rio a penas que variam de 19 a 36 anos de reclusão.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, os cinco foram condenados pelo assalto ao metrô. A morte de Gabriela não foi julgada neste processo. A juíza cumpriu acórdão do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual o crime da estudante não poderá ser processado e julgado nesta ação por questões jurídicas.

Crime Aconteceu em 2003



No dia 25 de março de 2003, por volta de 15h30, o grupo roubou R$ 619 da bilheteria da estação do metrô na Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte, além de bilhetes de viagem e vales-transporte. Dois assaltantes, com armas de fogo, renderam dois bilheteiros e um segurança, fazendo-os entregar todo o dinheiro. Outros dois ladrões, também armados, permaneceram próximos às bilheterias para garantir a execução da ação.

Em seguida, o grupo se deparou com um policial civil que se encontrava no local para comprar um bilhete. Ao perceber que o policial tinha um volume embaixo da camisa e imaginando ser uma arma, um suspeito o rendeu, aplicando-lhe uma gravata. Ele, então, efetuou vários disparos contra o agente, causando-lhe lesões corporais graves e pegou sua arma.

Quando estava em fuga, o grupo rendeu outro policial que descia as escadas. Houve troca de tiros, que feriram o policial e mataram a estudante Gabriela, que também descia as escadas no momento. Logo após, três dos criminosos roubaram um veículo e os demais fugiram pelos trilhos do metrô.

Fonte: G1 em 15/10/2008.

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