Autor: Carlos Santiago
Gabriela Sou da Paz
Diga não à impunidade
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Geovanna Pereira de Almeida (Erro Médico)



 


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Aviso O Movimento Gabriela Sou da Paz não se responsabiliza pela exatidão e veracidade das informações contribuidas voluntariamente abaixo.


Data do Ocorrido: 13/06/2013

Localização: São Gonçalo (RJ)

Data de Nascimento: 01/09/2009 (3 anos)

Data de Falecimento: 13/06/2013

Sexo: Feminino Feminino
 
Por Cristiane Raquel Pereira de Almeida, mãe da pequena Geovanna Pereira de Almeida
 
Minha pequena Geovanna  tinha quase quatro anos quando nos deixou, em 13 de junho de 2013, após quase dois meses internada na Casa de Saúde São José dos Lírios, na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. Durante o período em que ficou internada no hospital, foi vítima de negligência, imperícia, omissão, preconceito, dentre outras violações de direitos, perpetradas pelos médicos que deveriam empenhar-se em salvar a sua vida, mas ao contrário, por ser ela uma criança especial, esquivaram-se de aplicar os recursos que lhe eram necessários, de forma discriminatória.  Não satisfeitos, após a sua morte, uniram-se em uma rede criminosa, adulterando o prontuário médico, visando “nebular” e confundir os órgãos competentes e familiares, no que se refere aos crimes lá cometidos. Hoje, choramos ainda a sua ausência... Mas, apesar da dor, apesar de ainda não entendermos os "porquês", buscamos justiça! Pela Geovanna e para que outros pais não sejam subtraidos da maior felicidade de uma vida: seus filhos.
 
Como Tudo aconteceu:
 
Nossa família, como qualquer outra família consciente, sempre esteve muito atenta às adversidades e infortúnios vividos por nosso país e, particularmente, por nossa cidade. Diante de tal fato, procuramos sempre atender às orientações e recomendações dadas pelos órgãos competentes no sentido de garantir-nos maior qualidade de vida e menor exposição às doenças. O ano de 2013, não foi diferente dos anos anteriores, no que diz respeito à epidemia da dengue. E mais uma vez, cercamo-nos de todos os cuidados possíveis, principalmente pela experiência pretérita vivida com a Geovanna. Nossa filha sempre teve atualizado o seu cartão de vacinação e, no ano anterior, seguiu todas as campanhas, inclusive para a Pneumonia.Estávamos felizes porque, no auge do verão, nenhum dos membros de nossa família havia contraído a temida dengue e Geovanna seguia saudável, realizando suas atividades habituais.
 
No dia 14 de abril deste ano, como todo o final de semana, fomos a umrestaurante, depois pracinha e retornamos para casa, por volta das 17 horas, como habitualmente fazíamos. No dia posterior, pela manhã, Geovanna apresentou leve aumento de temperatura, o que fez com que ficássemos atentos naquele dia. Fizemos o que normalmente fazíamos, seguindo orientação dos próprios médicos nesses casos: demos banhos, tiramos o excesso das roupas, medicamos com um antitérmico e iniciamos o monitoramento da temperatura. Por volta das 16 horas, Geovanna já apresentava picos de febre de 38º, o que nos fez conduzi-la até à Casa de Saúde São José, que fica a 10 minutos de nossa casa, uma vez que a mesma poderia apresentar convulsões.
 
Chegando lá, deparamo-nos com uma grande quantidade de crianças à espera de atendimento na Emergência. Desse modo, solicitamos à médica pediatra de plantão (Dra. Luciana O. Coelho), a prioridade ao atendimento, já que Geovanna detinha este direito por ser uma criança especial. A referida médica, inicialmente, negou-se ao atendimento prioritário, dizendo aos berros que nós, os pais da Geovanna, queríamos “sempre privilégios” (sic) e que caso outro médico quisesse, poderia atendê-la, mas que a mesma não se via obrigada a reconhecer a prioridade da Geovanna, já que se tratava de um hospital. Diante do fato, dirigi-me aos outros pais e perguntei se alguém ali era contrário ao fato da Geovanna receber o atendimento, já que eu temia por uma crise convulsiva. Os pais presentes, na mesma hora, consensuaram em dar a prioridade à Geovanna, o que foi, mais uma vez questionado pela referida médica. Travou-se então um debate entre mim e a referida médica, que aos berros ainda ofendeu-nos quando ameaçamos chamar a polícia.
 
Após o debate, enfim, a citada pediatra resolveu atender a Geovanna, solicitando que fossem realizados todos os exames habituais (hemograma e urina) e que, após o resultado, retomaria o atendimento.
 
Após muitas horas, foi colhido o sangue da Geovanna e, no caso da urina, foi solicitado pela médica que fosse realizado por sonda, já que Geovanna usava fraldas e demorava a urinar. A realização do exame demorou mais algumas horas, e já à noite, pelas 20 horas, após realizado o último exame, fomos informados que deveríamos aguardar mais três horas até o resultado dos exames, prática rotineira do hospital.
 
Diante de tamanha demora, retornei com a Geovanna para casa, uma vez que a mesma estava sem a última mamadeira do dia (dada sempre por volta das 19 horas) enquanto meu esposo ficou aguardando o resultado no hospital, sendo combinado com a médica que, dada qualquer alteração, meu esposo buscaría-nos no mesmo dia para proceder à internação, já que a mesma médica conhecia o histórico da Geovanna e participou ativamente dos episódios pretéritos aqui narrados.
 
Chegando em casa,já pela madrugada, meu esposo, munido do exame que constatava a baixa de plaquetasrelatou-me que a referida pediatra havia informado que não internaria a Geovanna por avaliar não haver necessidade e que deveríamos retornar em 48 horas. Insatisfeitos, uma vez que a febrenão sanava e Geovanna já começava a apresentar prostração, pela manhã do dia 16, retornamos ao hospital, comunicamos todo o ocorrido para a pediatra plantonista do dia, inclusive narrando os episódios pretéritos, o que fez com que a mesma decidisse pela internação da Geovanna naquele mesmo dia.
 
Geovanna, a partir de então, foi colocada no soro e prescritos apenas os medicamentos em caso de febre(o que denominam “SOS”). Cabe-nos informar que Geovanna continuou a tomar todos os medicamentos que habitualmente utilizava para controle das crises convulsivas (Frisiun, Depakene, Gadernal, Trileptal), prescritos pelo hospital de Goiânia.
 
Fomos informados pela médica de plantão (Dra. Carla Pinheiro) que a suspeita era de dengue, mais desidratação e que, portanto, até que fossem realizados novos exames, Geovanna seria apenas hidratada, sem maiores intervenções.
 
No mesmo dia da internação (dia 16/04), foram realizados vários exames a partir da coleta de sangue e urina. Os exames já indicavam alterações em vários índices: Plaquetas, Hematócritos, Hemoglobina, Linfócitos e Monócitos ; Hemossedimentação, Creatinina; GGT; Proteina C Reativa . Segundo a pediatra Dra. Tatiana Gilabette, pediatra de rotina, o quadro sugeria dengue e infecção viral, contudo, no dia posterior, realizaria outros exames objetivando sanar quaisquer dúvidas.
 
Sendo assim, no dia 17, Geovanna realizou novo Hemograma e urina, que continuou apresentando alterações nos seguintes índices: Hemáceas, Hemoglobina, Eosinófilos, Linfócitos e Monócitos. Permanecia também a prostração e recusa da alimentação, em determinados momentos.
 
Apesar do exposto, no dia 18, pela manhã, após visita da Dra. Tatiana Gilabette, fomos informados que Geovanna estava de alta, já que não apresentava mais quadro de febre. Indagada por nós sobre as alterações nos exames e visível prostração da nossa filha, a referida doutora, após examiná-la, reafirmou que o quadro clínico da Geovanna era bom, não sendo mais justificável sua internação. A referida médica, mesmo questionada, insistiu pela alta, ausentando-se do quarto com a orientação que pegássemos a alta com o plantão da enfermagem, que a mesma iria prescrever de imediato.
 
Indignados, fomos até o plantão da enfermagem, momento em que fomos informados que a médica já havia ido embora e deixadocom aquele plantão areferida alta hospitalar. Desse modo, informamos ao plantão da enfermagem que não sairíamos do hospital, visto o quadro clínico da Geovanna nos parecer temeroso, mediante as alterações nos exames e prostração da nossa filha .
 
À tarde,o quadro apresentou considerável piora: febre de 38º, crise convulsiva e episódios de vômitos. Nossa filha, diante dos nossos olhos, prostrava-se cada vez mais e já demonstrava cansaço e apatia diante de qualquer solicitação. Preocupados, ainda pela tarde, solicitamos a presença da pediatra de plantão (Dra. Maria do Carmo Tavares), que coincidentemente era a pediatra regular da Geovanna. Informamos à referida doutora todo o ocorrido e toda a nossa preocupação diante do quadro que se apresentava com gradativa piora . Apesar de todo o exposto, Dra Maria do Carmo orientou-nos a aguardar a médica de rotina da internação, Dra. Tatiana, que só estaria no hospital no outro dia. Geovanna foi então medicada com antitérmico e nada mais foi dito ou prescrito. A madrugada seguiu-se com minha dedicação em baixar a febre da Geovanna com compressas e banhos.
 
No dia 19, relatei todo o ocorrido à Dra. Tatiana que, mais uma vez realizou todos os exames anteriormente realizados “como forma de garantir um diagnóstico preciso” (sic), além de um Raio X de Tórax. Este último, segundo laudo e relato da própria, não indicava nenhuma anormalidade . Mesmo diante de todo o quadro e afirmando que os exames indicavam umainfecção que poderia ser viral, a citada doutora permaneceu na sua conduta médica de manter Geovanna apenas no soro, não sendo prescrito nenhum outro medicamento para combater a infecção. O dia seguiu com piora considerável do quadro... Geovanna já chorava de dor, gemia e a prostração e apatia se agravavam cada minuto quepassava . Mesmo diante de todos os nossos apelos, Geovanna permanecia no quarto, apenas com soro e antitérmicos, sendo ignorada por todos os médicos aqui já citados, a visível piora clínica .
 
No dia 20, inacreditavelmente, Dra. Tatiana, mesmo após ouvir todo o relato dos episódios ocorridos na piora clínica da Geovanna, decidiu por realizar novamente todos os exames já realizados sobre a alegação que os resultados anteriores poderiam estar equivocadose que a mesma acreditava no diagnóstico de dengue com infecção viral, sendo justificada assim, a prostração. Mesmo após o resultado dos exames persistirem alterados: índices: Hemáceas, Hemoglobina, Hematócrito, Leucócitos, Eusinófilos, Linfócitos, Monócitos e Plaquetas) e persistência de febre e prostração, a Dra. Tatiana permaneceu inerte, inflexível e insensível a qualquer apelo ou apresentação do grave estado de saúde da Geovanna, mantendo-a no quarto. E assim se seguiu vários exames sendo realizados dia-após-dia, sem nenhum propósito. No dia 21, novos exames foram feitos a pedido da mesma médica,e a Dra. Tatiana seguia afirmando-nos que os exames não mostravam nenhum motivo para preocupação, já quesegundo ela, a escuta dos pulmões era livre, a febre era resultante da infecção viral, que em alguns dias desapareceria, e a prostração era decorrente do diagnóstico de dengue, o que justificava,ainda,a demora na melhora do quadro. Cabe-nos ressaltar que a Dra. Tatiana, por ser apenas a pediatra de rotina, chegava ao hospital por volta das 08, 09 horas da manhã, deixando o hospital após a realização das visitas, que se dava em aproximadamente 40 minutos, 01 hora.
 
No dia 22, certos que teríamos a derradeira conversapela manhã com a Dra. Tatiana, fomos surpreendidos pela visita da Dra. Luciana Coelho, a mesma pediatra que atendera a Geovanna no dia 15/04, justificando que Dra. Tatiana não passaria a visita naquele dia, mas que ela seria a médica da rotina e a plantonista do dia “para o azar dela” (segundo relato da própria). Ao verificar o quadro da Geovanna e depois de todos os episódios vivenciados até então, inclusive com crises convulsivas e febre durante toda a madrugada, a citada doutora decidiu por repetir, inacreditavelmente, todos os exames sobre a alegação que estava assumindo a situação naquele momento e que, portanto, sua conduta seria esta. Após examinar Geovanna, a doutora citada afirmou que retornaria ao quarto somente após o resultado dos exames.  Feitos os exames e diante da demora dos resultados e do desesperador quadro clinica que Geovanna apresentava, solicitei a presença da Dra. Luciana no quarto, apelando, desesperadamente para que a mesma encaminhasse a Geovanna para a UTI, já que nossa filha não respondia mais às nossas solicitações. A Dra. Luciana, enfaticamente verbalizou que não tomaria nenhuma atitude antes do resultado dos exames e, desrespeitosamente, ainda afirmou: “é muito azar o meu mesmo Geovanna piorar justamente na minha mão” (sic).
 
Já pela tarde, com permanência de febre, vômitos, prostração e crises convulsivas, meu esposo, em um ato de desespero, invadiu o consultório da emergência apelando para que a Dra. Luciana solicitasse aos setores maior agilidade nos resultados, visto que Geovanna estava, a nosso ver, gravíssima, diante do quadro clínico que se apresentava. Neste momento o meu esposo foi expulso pela médica do consultório, que esbravejando afirmou que “não era Deus” (sic), e que os resultados não dependiam dela.
 
No início da noite, sensíveis ao quadro que se apresentava e ao nosso desespero, alguns profissionais da enfermagem, decidiram chamar novamente a pediatra Dra. Luciana no quarto, alegando que Geovanna, naquele momento, estava gravíssima. O nosso desespero já era tanto quejá não sabíamos lidar com a situação, o que fez com que os padrinhos da Geovanna (Srs. Luciano e Sarita) fossem até o hospital nos ajudar na decisão a ser tomada. Uma das enfermeiras, por volta das 18 horas, nos confidenciou que os resultados da Geovanna já haviam saído e que o Raio X de Tórax estava visivelmente com infiltrações, ou como a mesma afirmou “cheio de furinhos” (sic).
 
Após o apelo das enfermeiras, a Dra. Luciana foi até oquarto novamente, momento em queGeovanna já agonizava de dor e, diante dos padrinhos da Geovanna, reexaminou-a e afirmou que nenhum exame estava alterado, apenas o de sangue que sugeria uma infecção viral e que, portanto, entraria com antibiótico a partir das 19 horas. Quando questionada sobre o Raio X e o “porquê” da não transferência da Geovanna para UTI diante do quadro, afirmou que o Raio X não apresentava nada que causasse preocupação e que a transferência para a UTI não aconteceria por “cautela”, já que lá estava em observação uma criança oriunda do Pronto Socorro de São Gonçalo, sem diagnóstico preciso, com suspeita de meningite. Diante de tal afirmação, questionei, mais uma vez, se o quadro não valeria o risco, já que Geovanna estava evoluindo com piora no seu quadro clínico. Neste momento, a Dra. Luciana afirmou que “reservaria” um leito com Dra. Jussara, chefe da UTI, “por precaução” (sic) e que no dia posterior passaria visita novamente, antes de largar o plantão.
 
A noite adentrou com expressivo agravo da situação, que já era desesperadora : febre, vômitos e apatia total. Geovanna já não abria os olhos, tampouco respondia aos nossos estímulos. Por volta das 01h30min (madrugada), dormindo na mesma cama com a minha filha e com os olhos vidrados nela, percebi que Geovanna iniciou tremores nos lábios, que evoluiu para os braços, passando para todo o corpo, gradativamente. Com os olhos abertos, Geovanna já fixava o olhar em um determinado ponto, vidrada, sem piscar. Gritei pelo meu marido, que dormia no sofá do quarto (autorizado pela equipe de enfermagem, diante da gravidade do quadro) e corri em direção às enfermeiras aos prantos, aos berros, comunicando que Geovanna estava muito estranha, possivelmente dando uma parada ou crise convulsiva generalizada.
 
Após 20 minutos de desespero, idas e vindas ao consultório da emergência em busca da médica do plantão da madrugada, finalmente, por volta das 02 horas da manhã, a Dra. Carolina, foi encontrada e conduzida ao quarto pelas enfermeiras de plantão que descreveram o quadro. Após alguns minutos (ressalto que não encontravam no andar uma seringa apropriada, nem Oximetro – aparelho que mede o nível de oxigenação do paciente), Geovanna foi inicialmente medicada com uma dose de Diasepan, e após descerem novamente à emergência para buscarem um “oximetro”, Geovanna iniciou uma segunda crise, mais intensa, resultando na aplicação de uma segunda dose de anticonvulsivante. Neste momento, após verificar a gravidade da situação e a pressão arterial da minha filha (70x40) – a citada doutora decidiu, diante do quadro, contatar a médica de plantão na UTI, Dra. Adriana Cocaro, que foi até o quarto e, inicialmente, recusou a transferência da Geovanna, alegando não haver vaga na UTI. Desesperados com a negativa,enfatizamos que caso Geovanna não fosse transferida imediatamente para a UTI, chamaríamos a polícia e comunicaríamos o fato aos órgãos que se fizessem necessários. Após nossos apelos, enfim, a referida médica decidiu transferir Geovanna para UTI, já em estado gravíssimo.
 
 Período de Internação na UTI
 
Na madrugada do dia 23, Geovanna finalmente foi transferida para a UTI. Logo pela manhã, após realizados os procedimentos iniciais e exames necessários, a chefe da UTI, Dra. Jussara, juntamente com a Dra. Adriana Coccaro, vieram nos informar que o quadro da Geovanna era gravíssimo e que havia sido constatada infecção generalizada, sepse e  pneumonia, com os dois pulmões gravemente infiltrados. As mesmas ainda afirmaram que nossa filha, possivelmente, após as sucessivas crises convulsivas ocorridas no quarto durante a madrugada, poderia ter ficado com sequelas neurológicas irreversíveis. Narramos, então, todo o vivenciado nos últimos dias e as referidas doutoras afirmaram que já haviam tomado conhecimento do quadro da Geovanna quando a mesma ainda estava no quarto, pela própria Dra. Luciana, mas que a mesma, ainda que orientada sobre a viabilidade de transferir durante o dia a Geovanna diante do quadro, optou em mantê-la no quarto, alegando que o quadro era estável e injustificável para uma UTI. As Dras. Jussara e Adriana afirmaram ainda que o Raio X realizado na UTI era gravíssimo e que o os pulmões da Geovanna não haviam atingido aquele grau de gravidade nas últimas 24 horas, mas que as imagens sugeriam uma evolução gradativa da pneumonia. Quando alertadas que Geovanna, naquele mesmo dia havia realizado um exame de Tórax e que Dra. Luciana havia afirmado que as imagens não apresentavam nada de preocupante, as referidas doutoras afirmaram ser impossível o quadro ter se agravado tanto em poucas horas, dada a infecção generalizada.
 
Assim, Geovanna iniciou o tratamento intensivo na UTI, com antibióticos e medicamentos apropriados para o quadro. Porém, já não reagia, tampouco apresentava melhoras. Alguns dias depois, foi entubada, dada a saturação e incapacidade de respirar sem apoio mecânico. Geovanna já demonstrava muito cansaço ao respirar, não abria os olhos, não respondia aos estímulos e os medicamentos, pouco surtiam efeito.
 
No dia posterior à transferência da Geovanna para a UTI, imbuída de desespero e indignação, procurei a Sra. Fernanda Marinho, diretora do Plano Amigo, narrando todas as angústias vividas por nossa família, e principalmente Geovanna, durante o período da Internação no quarto, período este que precedeu à internação na UTI. A Sra. Fernanda, diante de todos os fatos expostos, e “demonstrando” perplexidade e suposta indignação encaminhou-me para o Dr. Eduardo Maia, diretor médico do hospital, que me atendeu em sua sala, após tomar ciência do fato.
 
Durante o atendimento, Dr. Eduardo registrou toda a narrativa dos episódios vividos em seu computador portátil, alegando que, diante dos fatos, realizaria uma “sindicância informal”, visando investigar todos os fatos e ouvir os envolvidos, até então. Na minha presença, contatou a Dra. Jussara, buscando obter informações sobre o quadro clinico da Geovanna e disponibilizando todos os recursos possíveis do hospital à UTI, em prol da recuperação da Geovanna. Neste momento foi cientificado que o quadro era gravíssimo, com risco de morte e que a recuperação da minha filha não dependeria mais somente dos recursos disponibilizados, mas principalmente, de um milagre. Dr. Eduardo, então, durante toda a nossa conversa, discorreu com inúmeras alegações e justificativas para tamanha incompetência e imperícia dos médicos que, até então, haviam atendido Geovanna, dentre as quais, alguns absurdos do tipo: “sentimos muito, mas a Medicina não é uma Matemática. Uma horaacertamos, outra, erramos...”; “ Sua filha é especial, mais frágil, uma hora não irá aguentar mais, é melhor que se prepare. Tenho que te preparar para o pior... Mas pense que, pelo fato dela ser especial, o que você poderia esperar dela? Às vezes Deus escolhe alguns caminhos que não entendemos, mas que, depois, teremos certeza que foi melhor assim...” (sic). Indignada com a fala, principalmente vinda de uma direção médica, exigi providências e cientifiquei ao próprio que Geovanna, apesar de especial, levava uma vida como outra criança qualquer e que, ainda que tivesse o maior grau de comprometimento neurológico, não daria o direito de ninguém agir da forma que haviam agido, até então. Saí da sala aos prantos e exigi que o mesmo me acompanhasse até a UTI para verificar pessoalmente a situação.
 
Assim, Dr. Eduardo, por mim acompanhado, foi até o leito da Geovanna e em conversa com a médica de plantão, Dra. Ingrid, solicitou que fossem encaminhados para sua sala todos os exames de imagem, “laudados” (com respectivos laudos e diagnósticos), realizados em face da Geovanna, desde a sua entrada até a sua transferência para UTI, objetivando averiguar todo o ocorrido e verificar se realmente havia ocorrido imperícia por parte dos profissionais envolvidos. Olhando os exames, afirmou ainda que, pelo que havia constatado inicialmente, observando as imagens de Tórax realizadas no dia da transferência da Geovanna para a UTI, havia ocorrido, na verdade, um erro técnico na hora da fotografia do tórax, provocado possivelmente por falta de ajuste na máquina deraio X, o que “normalmente acontecia” (sic), daí a leitura equivocada da médica Dra. Luciana, que se baseou em um exame “prejudicado”para sustentar uma não transferência, mesmo diante do visível  quadro clínico (sic). Prometeu-me uma resposta em alguns dias, fato que não ocorreu. Após esta visita, nunca fomos procurados por nenhum responsável ou diretor médico. A Sra. Fernanda, durante os dois meses de internação da Geovanna, e mesmo após tomar ciência do ocorrido, encontrava-nos por várias vezes no hospital e, ao vernos, mudava o seu trajeto, evitando ter que dar explicações. E assim, totalmente desamparados, seguimos, dia a dia, acompanhando nossa filha na UTI.
 
O quadro da Geovanna só se agravava, na mesma medida em que os cuidados adotados por parte de alguns profissionais, médicos e pediatras, geravam-nos preocupação. Em um dos episódios, verifiquei que a conexão de um dos fios ligados na bomba de medicamento àGeovanna, com o medicamento “Noradrenalina”, estava simplesmente desconectada e pingando todo o medicamento no chão.
 
Com a atenção redobrada, no dia 29 de abril, logo pela manhã, percebi que Geovanna, mesmo entubada, respirava profundamente, com muita dificuldade. Chamei a fisioterapeuta respiratória, Dra. Fabiana, que afirmou que a frequência respiratória estaria normal. À tarde, após insistir com a fisioterapeuta Fabiana e a Dra. Adriana Cocaro, que estavam na UTI naquele momento, ambas, após examinar Geovanna, “descobriram” que o tubo estava solto, fora dos pulmões e posicionado na boca, entre os dentes e a gengiva. A partir dali percebemos que nova luta começaria no sentido de monitorar e intensificar nossa vigilância com os cuidados com a Geovanna. No mesmo dia, a chefe da UTI, Dra. Jussara, tentou adaptar uma máscara respiradora para a Geovanna, tentando evitar nova entubação. Porém, a única máscara que tinha disponível no hospital não era própria para crianças, situação que resultou em nova entubação.Todos estes episódios e nossa preocupação diante de tais fatos foram relatados pessoalmente a chefe da UTI, Dra. Jussara, que negou que os episódios tivessem repercussão negativa no tratamento da Geovanna.
 
Espontaneamente, solicitamos a presença do Dr. Renato Lincon, já que mesmo após redução dos sedativos, Geovanna não acordava. Assim, em 02 de maio, Dr. Renato examinou Geovanna, sugerindo que fosse realizado um Eletroencefalograma, no leito, avaliando as possíveis sequelas das sucessivas crises dadas ainda no quarto. No dia posterior, 03 de maio, foi realizado o citado exame por equipe da “Assuncion Martinez Liem” , que descartou qualquer “status epilepticus” (quadro convulsivo permanente).
 
Alguns dias após, nova tentativa de extubação foi realizada, sem critérios, ealgumas horas depois, Geovanna foi novamente entubada. Várias vezes utilizavam um aparelho chamado “ambu” (ventilação artificial), com tamanha força, que resultou em edema na parte do pescoço. Em algumas das vezes, alertávamos que tamanhaforça poderia estar machucando a Geovanna, pois a nossa filha, mesmo sedada, após o procedimento, sempre chorava. Em alguns momentos abria os olhos, com olhar disperso, mas sem nenhuma atitude reativa, além do choro.
 
Em um dos episódios, surpreendi uma das médicas advertindo a fisioterapeuta respiratória sobre o uso exagerado do “ambu” na Geovanna e o fato das mesmas profissionais, inclusive enfermeiras, modificarem a frequência da ventilação mecânica (do tubo), dando a todo o momento o que eles chamavam “100% ventilação”.
 
Alguns dias após constatarem o edema, a chefe da UTI veio nos informar que Geovanna passaria pela cirurgia de “traqueostomia”, porque havia sido constatada a “S.A.R.A” (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda) e que a mesma só conseguiria sair do respirador através da traqueostomia. Questionamos como nossa filha havia adquirido a SARA e que não autorizaríamos nenhum procedimento cirúrgico que não comprovasse realmente melhora significativa do quadro. A Dra. Jussara, bastante evasiva, alegou apenas que a síndrome havia sido adquirida pelo tempo de entubação, que “isso era comum em situações de entubação prolongada” e que, caso não autorizássemos a cirurgia, não se empenharia em mais nenhum procedimento de extubação, visto ser apenas a “traqueo” recomendada para o quadro.
 
À noite, ao pedirmos maiores explicações sobre a síndrome à médica de plantão noturna, Dra. Ingrid, a mesma, demonstrando indignação com o agravamento do quadro da Geovanna, relatou que o fato de “ambuzarem” a Geovanna a todo o momento, a mudança constante na frequência do ventilador mecânico (ou como a mesma disse “toda hora dão 100% naquela máquina”), acabou por “ferir, lesionar” os pulmões da Geovanna e torná-los totalmente dependentes do respirador mecânico. Sensível ao nosso desespero, a médica afirmou que conversaria com Dra Jussara, a fim de sugerir que Geovanna fosse colocada de prona (bruços) para melhor respirar e que fosse realizado o exame de Broncoscopia, objetivando constatar se o edema no pescoço era superficial ou profundo e qual era a real situação dos pulmões, uma vez que nenhum antibiótico estava fazendo efeito sobre a pneumonia. Assim Geovannaficou alguns dias de bruços e no dia 07 de junho, foi realizado o citado exame. No exame foi constatado edema superficial, porém, grave imagem e sequelas ocasionadas pela “SARA”. Em conversa com a Dra. Sandra, médica do Hospital Antônio Pedro que realizou o exame, fui informada da gravidade da situação e alertada da seguinte forma: “mãe, o quadro é gravíssimo... simplesmente os pulmões da sua filha nunca mais irão se recuperar... ela poderá ficar dependente do respirador... mas o pior é que, simplesmente, os pulmões dela estavam sangrando porque o tubo que colocaram nela era maior que o espaço entre a gargantinha dela e os pulmões... a cada mexida, o tubo feria os pulmões dela, causando mais traumas... os pulmões estavam visivelmente sangrando... o que eu posso te dizer mais é que irei orar por você, pela sua filha... porque os próximos dias serão decisivos” (sic).
 
E assim, Geovanna foi apresentando piora dia-após-dia.... E na manhã do dia 13 de junho, veio a falecer, após intenso sofrimento vivido durante os quase dois meses que permaneceu sob os cuidados da Casa de Saúde São José dos Lírios. Não obstante a todo o sofrimento já experimentado pela nossa filha em vida, após o desligamento dos aparelhos, meu esposo veio até minha casa buscar algumas peças de roupas para vestir a Geovanna. Quando chegamos à UTI, fomos informados pelas enfermeiras Keila e Lidia que o corpo já havia sido transferido para a capela, um local ermo, abandonado, que fica na parte de trás do hospital (fotos constam no Dossiê original). Quando questionadas quem havia autorizado a transferência do corpo e quem estava lá com ela, soubemos, para nosso desespero, que a equipe havia decidido transferi-la temendo minha reação diante dos outros pais e que não havia ninguém acompanhando o corpo. Desesperadamente, fui até o local acompanhada da minha cunhada Sabrina e uma amiga, Viviane. E então presenciamos a pior cena que um pai e uma mãe poderiam presenciar: o corpo da nossa filha, sozinho, vestida apenas com uma fralda descartável, em cima de uma pedra fria. Diante da nossa indignação e questionamentos, as referidas enfermeiras decidiram arrumar o corpo da Geovanna, informando que, após arrumada, não poderíamos ficar no local. De pronto informei que só sairia com força policial e que, o mínimo que o hospital deveria fazer por minha família naquele momento, era permitir cuidar e vigiar o corpo da minha filha, até a chagada da funerária.
 
Ao final daquele dia, experimentamos a pior dor, maior e indescritivelmente mais profunda, que todas que havíamos vivido até então. Enterramos nossa filha, nossas vidas, nossos sonhos e demos adeus àquela que simplesmente foi o maior amor de nossas vidas e a pessoa que simplesmente resignificou todos os nossos conceitos de afeto, dedicação, desprendimento, paternidade e maternidade e, principalmente, superação.
 
Todos fatos foram descritos em um Dossiê, entitulado "Dossiê Geovanna", com mais de 400 páginas, elaborados por mim, sua genitora e entregue a todos os órgãos competentes, poucos meses após a morte da Geovanna. Neste dossiê foram anexados todos os documentos que evidenciam os crimes perpetrados em face da Geovanna. A saber, os órgãos competentes que estão em posse do referido Dossiê:
 
1ª Promotoria de Investigações Penais de São Gonçalo:  Inquérito – 651/13;
Promotoria de Saúde de São Gonçalo e Tutela Coletiva de São Gonçalo: Inquérito 105/2013;
Ministério Público da Infância e Juventude (rejeitou o caso) -Protocolo MPRJSPJINFSGO 201301100742 101013 -Recurso Administrativo ao Ministério Público Superior contra indeferimento da 2ª Promotoria da Infância e Juventude protocolado em 05/11/13 – Resposta: Indeferido
Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Enfermagem (enviado pela Promotoria da Saúde, segundo consta no inquérito);
Comissão de Direitos Humanos da ALERJ – protocolado em 24/10/2013;
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA – SG) -  Protocolado em 19/11/2013;
Conselho Estadual Dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA – RJ) – Protocolado em 18/12/13;
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – Protocolado em 11/04/2014 – Este último como recurso de  tornar público a inoperância frente ao caso.
 
Até hoje aguardamos por Justiça...
 
29/11/2014

Geovanna Pereira de Almeida, de apenas 3 anos, foi vítima de negligência, imperícia, omissão, preconceito, dentre outras violações de direitos perpetradas pelos profissionais de saúde de um hospital particular, em São Gonçalo (RJ). O crime aconteceu em 13/06/2013 e até hoje a família aguarda por justiça. 



Não será publicado.




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