Por Fátima Rodrigues, mãe de Carolina Rodrigues Macchiorlatti, mais uma vítima da impunidade.
Carolina Rodrigues Macchiorlatti perdeu a vida aos 19 anos de idade, no dia 13 de Setembro de 2006, em sua casa na zona sul do Rio de Janeiro no bairro das laranjeiras.
Um dia antes a companhia de gás do RJ abriu um buraco em torno de uns 4 metros e meio na porta do meu prédio para fazer o chamado texte de estanqueidade onde é injetado uma forte pressão de ar comprimido, na hora de fechar as válvulas das tubulações os funcionários das empresas terceirizadas que são contratadas pela CEG sem o menor preparo técnico erraram e no dia seguinte (13/09/06) minha filha tomando banho foi vitima fatal de envenenamento de gás com um índice de monóxido de carbono 20 vezes a mais do que um ser humano pode suportar e cujo o laudo do instituto Carlos Êboli constatou a morte da minha filha Carolina Rodrigues Macchiorlatti, em um minuto, um minuto e meio no máximo.
No momento em que minha filha Carolina Rodrigues Macchiorlatti perdia a vida outras duas famílias velavam os corpos de um jovem casal de namorados que também foram vitimas de envenenamento de gás e foi isso que chamou muita atenção da imprensa, afinal foram três mortes em dois dias.
No dia seguinte as manchetes em todos os jornais de maior circulação da cidade diziam que meu aquecedor estava lacrado mas detalhe esse lacre nunca existiu e sobre o jovem casal de namorados o que foi publicado era que os dois haviam feito um pacto de morte, isso tudo que foi publicado foi pela assessoria de imprensa da CEG que tenta o tempo todo jogar a culpa em cima do consumidor já que no inicio do processo de conversão do gás manufaturado para o gás natural a CEG já matou e sequelou mais de cem pessoas na cidade do RJ.
Em cima da revolta da perda da minha filha e da calunia que sofri dizendo que meu aquecedor estaria lacrado, com a ajuda de uma jornalista eu criei o movimento, fui contatando famílias de vitimas, fomos encaminhados para comissão de direitos humanos na Alerj cujo hoje existe um projeto de lei em tramitação na casa de numero 762/2007, nos reunimos no centro da cidade para recolher assinaturas e também pela internet para ser encaminho ao Ministério Público na defesa do consumidor na pessoa do Dr. Rodrigo Terra que vem sendo incansável nessa luta ao nosso lado.
Nós não brigamos contra o gás, lutamos sim para que haja fiscalização ja que o mesmo foi instalado de uma forma abrupta e inescrupulosa e todos continuam correndo risco de vida. Vários outros casos ocorreram depois da morte da minha filha, novas mortes, carros arremessados, buracos abertos, bueiros que explodem e atualmente os bueiros da Light (empresa que distribui energia elétrica) estão saindo fumaça e luz falta em vários bairros da cidade, isso porque a pressão do gás natural´que fica nas redes subterrâneas das ruas é muito violenta e esbarra nos dutos da light e assim ocorrem as explosões dos bueiros, tudo isso é muito grave e não é divulgado da forma correta ao ponto de dar segurança a população, lutamos contra um forte poder econômico, mas semanalmente com afinco permanecemos em nossa militância na Alerj para que alguns deputados que agem com interesse próprio retirem emendas que mancham a intenção do projeto de lei, alguns acabam cedendo, outros simplesmente mostram sua cara...
Estivemos três vezes com o presidente Lula, o Ministério Publico já instaurou uma ação civil pública tentando obrigar a CEG agir de uma forma segura com o consumidor e deixo claro que em nenhum momento houve nenhuma boa vontade da parte da CEG em relação aos familiares das vitimas que foram retirados dos banheiros a tempo e hoje levam vida vegetativa e o custo para que essas famílias possam manter seus entes queridos é muito alto.
Enfim, somos vitimas de um homicídio silencioso, mas nos apoiamos uns aos outros e acabamos chegando a outros movimentos onde encontramos amparo, compreensão, solidariedade e conforto para nos ajudar, porque toda ajuda pra nós é bem vinda.








Carolina Rodrigues Macchiorlatti perdeu a vida aos 19 anos de idade, no dia 13 de Setembro de 2006, em sua casa na zona sul do Rio de Janeiro no bairro das laranjeiras.
Carolina Rodrigues Macchiorlatti foi vitima fatal de envenenamento de gás com um índice de monóxido de carbono 20 vezes a mais do que um ser humano pode suportar e cujo o laudo do instituto Carlos Êboli constatou a morte de Carolina Rodrigues Macchiorlatti, em um minuto e meio no máximo.