Camila Magalhães Lima, estudante, vítima de bala perdida, Rio de Janeiro-RJ, em 03/09/1998.
Em 03/09/1998, seguranças de uma joalheria na Tijuca dispararam tiros contra assaltantes. Uma bala perdida atingiu a sexta vértebra da coluna cervical de Camila Magalhães Lima, e também seu sonho. Com diagnóstico de tetraplegia (sem movimentos abaixo do pescoço), ela quase perdeu a esperança.
Camila Magalhães Lima perdeu os movimentos aos 12 anos, quando foi atingida por uma bala perdida ao sair do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Vila Isabel. Apesar de só ter ficado um mês na Itália, quando o mínimo recomendado seriam três, ela já notou melhoras significativas tanto no aspecto físico quanto no emocional.
“Em apenas um mês, apresentei mais resultados do que ao longo de muitos anos. Ganhei força motora, massa muscular e leve movimento nas pernas. Pela primeira vez, consegui caminhar sem o auxílio do tutor (aparelho que imobiliza os joelhos)”, avalia Camila Magalhães Lima.
O Centro Giusti, em Florença, é especializado na reabilitação de pacientes submetidos a implantes com células-tronco. Um dos mais respeitados da Europa, cobra cerca de 1.750 euros, o correspondente a R$ 4,4 mil, por semana de internação. À espera de uma decisão da Justiça, Camila Magalhães Lima só conseguiu viajar graças aos R$ 60 mil depositados na conta que sua mãe, a funcionária pública aposentada Anna Lúcia Magalhães Lima, 58 anos, abriu para ajudar no tratamento da filha.
“Se a indenização a que tenho direito tivesse saído, poderia ter ficado por mais tempo na Itália. Mesmo assim, tive provas concretas de que ainda tenho muito o que melhorar”, assegura Camila Magalhães Lima.
Na Itália, Camila teve a oportunidade de conhecer pacientes de outros países, como Grécia e França, que também foram submetidos a implantes de células-tronco. A cirurgia de Camila Magalhães Lima foi realizada em 30/09/2006 no Hospital Egas de Moniz, em Lisboa, devido à generosidade de um empresário português que se sensibilizou com o drama da brasileira e se dispôs a emprestar 35 mil euros — o equivalente a R$ 93 mil.
“Foi encorajador conhecer pessoas que passaram pelo mesmo drama que eu e também se submeteram ao implante de células-tronco. Uns sofreram acidentes de mergulho. Outros, desastres de carro. Casos como o meu, vítima de bala perdida, são raros na Europa. Mas todos, sem exceção, apresentavam alguma melhora”, avalia Camila Magalhães Lima.
Na técnica de regeneração medular desenvolvida pelo neurologista português Carlos Lima, as células-tronco são retiradas da mucosa olfativa do próprio paciente. Em outros casos, podem ser extraídas do cordão umbilical ou da medula óssea. Mas, em tese, todas as células-tronco têm o poder de substituir outras células que foram afetadas por problemas cardíacos, doenças degenerativas ou lesões vertebrais.
“Quando você vê resultados concretos, se sente estimulada a seguir em frente. Lá, tive a certeza, mais uma vez, de que estou no caminho certo”, orgulha-se Camila Magalhães Lima.
Balas Perdidas...quando isso vai ter fim?
O cantor, Leandro Sapucahy, expressou nessa linda música " Bala Perdida" toda a realidade da dor de uma família que perde o seu ente querido, vítima de bala perdida...


Camila Magalhães Lima, estudante, vítima de bala perdida, Rio de Janeiro-RJ, em 03/09/1998.
Camila Magalhães Lima perdeu os movimentos aos 12 anos, quando foi atingida por uma bala perdida ao sair do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Vila Isabel. Apesar de só ter ficado um mês na Itália, quando o mínimo recomendado seriam três, ela já notou melhoras significativas tanto no aspecto físico quanto no emocional.