No velório de Ana Carolina, a família afirmou não entender o motivo do crime. “Acabou um sonho, morreu um sonho”, disse Francisco Filho, tio da vítima. O enterro de Ana Carolina aconteceu em um cemitério no Centro de Jacareí. A mãe contou que a filha conheceu a amiga Raíssa este ano. A família de Raíssa não quis falar sobre o assassinato.
A polícia ainda não tem pistas dos assassinos e não sabe o que motivou o crime. Segundo amigas das jovens, elas foram à escola na terça-feira, mas saíram às 21h para ir a uma festa.
Em depoimento à polícia, testemunhas disseram que elas entraram por vontade própria no carro. Ninguém, no entanto, soube informar qual era o veículo.
“Disseram que iam em uma festa e mais nada”, diz uma jovem que estudava com as vítimas.
A polícia acredita que o crime foi premeditado. Na mesma noite, às 23h, moradores de Nazaré Paulista ouviram vários disparos de arma de fogo.
“O local da execução fica a cerca de uma hora de distância de Jacareí. Perto dali, há um retorno. Ou seja, já havia uma rota de fuga planejada”, diz o delegado Luiz Antonio Cunha dos Santos, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jacareí.
Não havia documentos que identificassem os corpos e, por isso, as garotas foram registradas como indigentes no IML (Instituto Médico Legal) de Bragança Paulista.
Como já havia sido registrado um boletim de ocorrência pelo desaparecimento das jovens, a DIG de Jacareí teve acesso à descrição dos corpos por meio de uma rede integrada da Polícia Civil.
“Levamos os pais para fazerem o reconhecimento oficial e eles confirmaram que era mesmo o corpo das jovens”, diz o delegado Cunha.
Jovens.Raíssa e Ana Carolina estavam no segundo ano do Ensino Médio. Ana sonhava ser modelo há dois anos, segundo o pai Antonio Carlos Custódio, 43 anos, porteiro.
“Eu e a mãe dela trabalhávamos o dia inteiro. Por isso, ela era como uma mãe para os três irmãos mais novos. Era boa, cheia de sonhos. Não dá para saber por quê tanta maldade”.
Raíssa gostava de jogar vôlei, segundo as amigas. Ontem, a mãe dela foi internada devido à crise nervosa que teve ao saber do assassinato.
A Polícia Civil quer traçar o perfil das duas vítimas para descobrir quem teria motivos para assassinar as jovens.
A DIG de Jacareí pretende ouvir amigos, parentes e colegas de escola para saber os círculos de amizades das duas adolescentes.
“Se são pessoas em que elas confiavam para ter entrado no carro, alguém deve saber alguma coisa sobre eles”, diz Luiz Antonio Cunha dos Santos.
No entanto, ainda não está definida qual delegacia ficará responsável pela investigação das mortes.
Apesar de vítimas e, talvez, assassinos serem de Jacareí, o caso pode ficar a cargo da polícia de Nazaré Paulista.
“A lei diz que a polícia de onde aconteceu o crime, fica responsável pelo caso. Mas creio que, em Jacareí, a investigação será mais fácil pelos envolvidos serem daqui. Vamos pedir ao juiz que nos passe a investigação”, diz Cunha.