A universitária Luana Neves Ribeiro, 21 anos, morreu na noite de 04/07/2011 em São José do Rio Preto quando se preparava para doar medula óssea para ser transplantada numa criança carioca, portadora de leucemia.
Feliz pela oportunidade de praticar o gesto nobre e altruísta, ela se internou às 15h de segunda-feira no Hospital de Base de Rio Preto para se submeter à colocação de um cateter no coração para possibilitar a coleta de células tronco no dia seguinte. Mas uma falha no procedimento acabou por interromper sua vida e seu sonho de salvar a criança cujo rosto sequer conhecia.
Luana morreu vítima de choque hipovolêmico provocado por uma hemorragia no pulmão, seis horas depois da colocação do cateter. As células tronco que não chegaram a ser coletadas seriam levadas para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde a criança do Rio de Janeiro aguardava para o transplante de medula óssea.
Moradora em Promissão, ela já havia retornado para o hotel onde estava hospeda, quando por volta de 19h começou a gritar de dor na barriga e a falar para a mãe que ia morrer. Segundo familiares, Luana se formaria em dezembro no curso de enfermagem pela Universidade de Marília (Unimar) e, por isso, saberia identificar a causa da dor que sentia.
Mãe e filha voltaram imediatamente para o Hospital de Base. Às 20h, foi atendida pela equipe de enfermagem na Unidade de Transplante, que constatou que sua pressão estava baixa (9 por 6) e fez contato telefônico com médica de plantão que determinou a prescrição de Zofran, um remédio para romper a náusea. A universitária teria se recusado a tomar medicação sem ser vista pelo médico. “Eu estou morrendo. Eu sei o que estou falando. Sou enfermeira”, gritava a jovem para a equipe.
Mais de uma hora depois, a médica teria comparecido à unidade e aplicado o Zofran com soro. A paciente, já em choque, vomitou e ficou roxa. Às 22h10 teve uma parada cardíaca. A equipe médica tentou processo de ressuscitação por 30 minutos, mas a universitária não resistiu.
Filha única de pais separados, Luana Neves Ribeiro, 21 anos, era apontada como uma jovem inteligente, estudiosa, meiga, amorosa com a família e amigos, e uma apaixonada pela mãe, a doméstica Cícera Aparecida Neves de Oliveira, 46 anos. “As duas eram muito amigas e apegadas uma à outra. Luana ligava quase todos os dias para a mãe. Era uma menina muito boa e muito feliz”, conta a prima e enfermeira Sônia Maria Guedes, 46 anos.
Luana cursava o quinto ano de enfermagem na Universidade de Marília e já se preparava para prestar concursos públicos. “Os planos dela eram terminar a faculdade, começar a trabalhar, comprar um carro e ajudar a mãe, a quem era muito apegada. As duas eram tão apegadas e cúmplices que dormiam juntas.
Os estudos da filha eram pagos com o salário de doméstica da mãe. “A Luana era a alegria e a vida da Cícera. A morte da filha foi um golpe muito duro para a mãe. Quando cheguei em Rio Preto, a encontrei debruçada, soluçando sobre o cadáver da filha. Ela dizia que precisava cobri-lo porque Luana estava com frio. Só Deus pode consolá-la nesta hora.”
Cícera disse, por intermédio de Sônia, que Luana se cadastrara no Redome havia um mês, durante uma campanha na universidade. A jovem teria ficado muito feliz quando recebeu a informação de que tinha compatibilidade genética com uma criança portadora de leucemia, do Rio de Janeiro. “Antes de viajar (de Promissão para Rio Preto), ela ainda disse: ‘orem por mim porque vou dar vida para uma pessoa que está morrendo. Ela era uma católica fevorosa, cheia de fé”, disse Sônia. O corpo de Luana foi transferido para o Cemitério Municipal de Promissão, onde foi velado e enterrado na manhã de 06/07/2011.
Os diretores do Hospital de Base e Fundação Faculdade de Medicina de Rio Preto Jorge Fares e Horácio Ramalho lamentaram o óbito de Luana e se disseram solidários à dor da família. “É muito triste para a instituição um evento desses. Nós, que temos o objetivo de salvar vidas, sofremos ao deparar com uma tragédia dessa, ainda mais porque o objetivo da jovem também era de salvar uma vida”, disse o diretor-executivo da Funfarme, Horácio Ramalho.
A Polícia instaurou um inquérito. Se ficar comprovado que houve negligência ou erro médico, os responsáveis devem responder por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
O Hospital de Base de São José do Rio Preto divulgou no dia 13/07/2011 o laudo da causa da morte da estudante Luana Neves Ribeiro. Foram encontradas perfurações nas veias por onde passou o cateter, inserido no pescoço da vítima. A médica que realizou o procedimento foi ouvida pela polícia e houve confusão em frente à delegacia. A médica que colocou o cateter em Luana saiu da delegacia acompanhada da tia e logo foi amparada pela mãe, que tentou esconder o rosto da filha. O marido dela chutou a câmera de um dos fotógrafos.
Também foi ouvida a médica que atendeu Luana quando a jovem se sentiu mal, quase duas horas depois da colocação do cateter. Visivelmente abatida, ela saiu ao lado do advogado e não quis falar com os repórteres.Por último e cercada de parentes, Cirça Aparecida Neves de Oliveira, mãe da estudante morta, deixou a delegacia abalada.Luana era estudante de enfermagem e morreu duas horas depois de ter o cateter inserido na veia jugular, que passa pelo pescoço. O procedimento foi realizado para retirada de material para doação de medula óssea.Segundo especialistas, o líquido é colhido geralmente da bacia dos doadores, e não do pescoço.
O Hospital de Base abriu sindicância para apurar se houve erro médico. O laudo da morte revela que Luana teve múltiplas perfurações em uma veia e hemorragia no pulmão esquerdo. A coleta de medula óssea foi suspensa após a morte da estudante. Os doadores voluntários de medula serão encaminhados para outros centros de coleta. Segundo o hospital, a suspensão é por tempo indeterminado.
A medula óssea é um material gelatinoso que fica no interior dos ossos. É lá que são produzidos, principalmente, os glóbulos brancos e vermelhos que transportam oxigênio e agem na defesa do organismo. Para fazer a doação do material é preciso preencher um cadastro em qualquer hemocentro e coletar uma pequena quantidade de sangue. As chances de se encontrar voluntários compatíveis são de uma para cada 100 mil.
O Ministério Público Estadual (MPE) pediu novas investigações e devolveu à Polícia Civil de São Paulo o inquérito que apura a morte da universitária Luana Neves Ribeiro, 21 anos, que morreu em 4 de julho durante tentativa de doação da medula óssea para uma vítima de leucemia, no Hospital de Base, em São José do Rio Preto.


A universitária Luana Neves Ribeiro, 21 anos, morreu na noite de 04/07/2011 em São José do Rio Preto quando se preparava para doar medula óssea para ser transplantada numa criança carioca, portadora de leucemia.
Luana morreu vítima de choque hipovolêmico provocado por uma hemorragia no pulmão, seis horas depois da colocação do cateter. As células tronco que não chegaram a ser coletadas seriam levadas para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde a criança do Rio de Janeiro aguardava para o transplante de medula óssea.
A Polícia instaurou um inquérito. Se ficar comprovado que houve negligência ou erro médico, os responsáveis devem responder por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
O Hospital de Base de Rio Preto abriu sindicância para apurar se houve erro médico e divulgou no dia 13/07/2011 o laudo da causa da morte da estudante Luana Neves Ribeiro. Foram encontradas perfurações nas veias por onde passou o cateter, inserido no pescoço da vítima.
A direção do Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto, a 440 km de São Paulo, anunciou em 29/08/2011 que vai manter nas mesmas atividades as médicas hematologistas Flávia Leite de Souza e Érika Rodrigues Pontes, a enfermeira Ana Carolina Costa Roma e a auxiliar de enfermagem Mirela dos Santos Mesquita Pimenta, denunciadas pelo Ministério Público na última sexta-feira pela morte da universitária Luana Neves Ribeiro.