Eram 6h da manhã de segunda-feira, (11/07) quando Nerci Cuchera da Silva, mãe de Maiara, deixou em casa as duas meninas e saiu para trabalhar. Por volta das 10h Luciene da Silva, irmã mais velha de Maiara, estranhou o cadeado do portão aberto, entrou na residência e viu as crianças no chão. Com medo, ela correu para avisar Sebastião Gomes de Oliveira, pai de Nicole. A faca do crime, dois preservativos usados, papel higiênico e roupas usadas pelas vítimas foram apreendidas em um terreno baldio próximo da casa onde ocorreu o crime. Nada foi roubado.
A polícia trabalhava com a hipótese de que o assassino fazia parte da rotina da família porque não havia sinais de arrombamento na casa e nenhum objeto de valor havia sido roubado. A faca, que provavelmente foi usada no crime, foi encontrada em um terreno baldio em frente à casa.
Na terça-feira (12), durante os enterros, o clamor era por justiça e principalmente por respostas, já que ninguém entende o que teria levado a uma pessoa a matar de forma tão brutal as crianças.
A mãe de Nicole, Luzineide Ferreira da Silva Soares, era a mais inconformada com o crime. No enterro da filha, no cemitério Memorial Park, ela pedia justiça e lamentava o fim trágico da menina e sua amiga.
Desde o crime, vizinhos, moradores do bairro e até mesmo policiais tentam dar conforto às famílias. O salão da Ossel permaneceu cheio durante toda a manhã de terça-feira (12). Ediça Madureira, amiga da família de Maiara, afirma que a principal suspeita recai sobre alguém próximo das vítimas. “A orientação era veemente, era para não deixar nenhum estranho entrar na casa. As duas abriram a residência. A família acredita que o autor seja um conhecido ou um vizinho”, diz a mulher.
O enterro de Maiara foi cercado pela família, que impediu a cobertura da imprensa. Apesar do nervosismo, a mãe da menina, Nerci Cuchera da Silva, citou a capa do BOM DIA de terça-feira (12), feita a partir de uma imagem captada pelo fotógrafo Gilson Hanashiro, que teve acesso ao quarto da menina com consentimento de seus familiares. “Apesar da nossa dor pela morte da minha filha, ficamos comovidos com a capa do jornal. Agradecemos pela sensibilidade”, disse Nerci.
Luciene da Silva, irmã de Maiara, acompanhava a mãe. Elas e a vítima eram muito ligadas. Luciene levava a garota para brincar e servia de babá enquanto a mãe trabalhava.
Amizade forte /Durante o velório das crianças, foi possível reparar a desunião entre as famílias. Sebastião Gomes de Oliveira, 64, pai de Nicole, admitiu que não tem relacionamento com a família de Maiara. “A mãe da outra menina não olha na minha cara, não me cumprimentou nem no velório”, disse o aposentado. “A força da amizade entre as duas era tão forte que ultrapassava os limites das diferenças entre eu e a outra família. No entanto, nunca conseguimos diálogo.”
Maiara e Nicole se conheceram na escola estadual Professora Maria Cândida de Barros Araújo, na Vila Betânia, no Jardim, quando tinham 4 e 5 anos respectivamente. Nascia ali uma cumplicidade que despertou a atenção dos pais. “A Nicole era muito aceita na casa de Maiara porque tinham afinidades e uma amizade linda, muito forte mesmo. Não à toa, elas morreram juntas”, disse Sebastião, emocionado. Familiares de Maiara pressionam a polícia para investigar mais o caso.
Feito o sepultamento das duas crianças, o que mais incomoda os pais, mais gera sofrimento, é a impunidade. “Quero justiça”, disse Luzineide. Sebastião vai além: “Quero que esse assassino seja punido com rigor. O meu objetivo, hoje, é colocar esse monstro na cadeia. Espero que a morte das meninas não caia no esquecimento e que o responsável pague”.
A Polícia Civil desvendou no início da noite de quarta-feira (13/07/2011) o assassinato das duas crianças, Nicole Mayra da Silva Nogueira e Maiara Natalie da Silva. De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais, o cunhado de Maiara foi o responsável pela morte brutal dela e da amiga Nicole. O homem, identificado como Wellington Themistocles, 20 anos, companheiro de Luciene da Silva, irmã de Maiara, foi preso e foi apresentado na quinta-feira (14).
De acordo com a polícia, uma calça suja de sangue foi encontrada próximo à casa onde as duas meninas foram mortas. A partir disso, os investigadores chegaram até Wellington, dono da peça de roupa.
A prisão confirma a linha de investigação assumida pela delegacia durante a apuração do crime. De acordo com o delegado responsável pelo trabalho, Acácio Aparecido Leite, o autor do crime era uma pessoa do convívio da família. Wellington, 20, passou a tarde na delegacia de Sorocaba, ao lado de outros parentes que foram prestar esclarecimentos à polícia. Até então, não existia a confirmação de que ele era o assassino das duas crianças.