Autor: Carlos Santiago
Gabriela Sou da Paz
Diga não à impunidade
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José Cláudio Ribeiro da Silva (Assassinato)



 


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Data do Ocorrido: 24/05/2011

Localização: Nova Ipixuna (PA)

Data de Falecimento: 24/05/2011

Sexo: Masculino Masculino
 

Seis meses depois de prever seu próprio assassinato, um líder defensor da floresta tropical foi alegadamente assassinado na Amazônia brasileira. José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa, Maria do Espírito Santo, teriam sido mortos a tiros de espingarda no dia 24/05/2011, em uma emboscada perto da casa deles, em Nova Ipixuna, estado do Pará, a cerca de 60 quilômetros de Marabá. Marabá fica a 440 quilômetros de Belém, capital do Pará

De acordo com um jornal local, Diário do Pará, o casal não tinha proteção policial apesar de receber frequentes ameaças de morte por causa de sua batalha contra madeireiros ilegais e fazendeiros.
 
Em discurso em um evento em Manaus, em novembro passado, Da Silva falou sobre o medo de que os madeireiros pudessem tentar silenciá-lo. “Eu poderia estar hoje falando com vocês e em um mês vocês terão notícias de que eu desapareci. Eu protegerei as florestas a qualquer custo. É por isso que eu poderia receber uma bala na cabeça a qualquer momento… porque eu denuncio os madeireiros e produtores de carvão e é por isso que eles pensam que eu não posso existir. As pessoas me perguntam, ‘você tem medo’? Sim, sou um ser humano, naturalmente que tenho medo. Mas meu medo não me silencia. Enquanto eu tiver força para andar eu vou denunciar todos aqueles que danificarem a floresta”.
 
Roberto Smeraldi, fundador e diretor do grupo ambientalista Amigos da Terra, que trabalhou com Da Silva na Amazônia, disse que estava em uma reunião com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, discutindo mudanças no código florestal, quando a notícia da morte de Da Silva surgiu. “Ele estava convencido de que seria morto”, Smeraldi disse. Ele acrescentou que Da Silva tinha sido “muito ativo” na luta contra a derrubada e queimada ilegais da floresta. De acordo com notícias da mídia brasileira, Rousseff pediu ao chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para dar apoio a uma investigação sobre o assassinato.
 
“Temos outro Chico Mendes”, disse Felipe Milanez, um jornalista ambiental de São Paulo, referindo-se ao seringueiro da Amazônia que se tornou mártir ambiental depois de seu assassinato em 1988. Milanez disse que em uma recente conversa telefônica com a esposa de Da Silva ela disse que a situação “estava ficando muito feia”. Milanez acrescentou: “Ele sabia que as ameaças eram reais. Ele estava com medo”.
 
Um relatório de grupos de direitos humanos brasileiros em 2008 listou Da Silva entre as dezenas de ativistas ambientais e de direitos humanos da Amazônia “considerados sob risco” de assassinato.
 
Aproximadamente mil trabalhadores integrantes de movimentos sociais interditaram a BR-222 e a Estrada de Ferro Carajás na manhã de 26/05/2011, em Marabá, cidade a 440 quilômetros de Belém, no Estado do Pará. O ato foi de protesto contra o assasssinato dos extrativistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva.
 
As vias ficaram bloqueadas das 4h às 10h45. No momento, de acordo com a Polícia Militar, 3 mil manifestantes estão na entrada do Cemitério da Folha 29, onde será realizado o enterro do casal, em Marabá.
 
Durante a manifestação, os trabalhadores afirmaram que ferrovia e a rodovia seriam liberadas somente após a passagem do cortejo fúnebre. A interdição da ferrovia Carajás obrigou um trem da Companhia Vale do Rio Doce a retornar para sua estação em Marabá. Às 10h, um congestionamento de aproximadamente 15 quilômetros foi registrado na BR-222.
 
Integrantes do Movimento Sem Terra (MST) ameaçaram queimar o veículo de uma rádio local que estava à margem da rodovia interditada.
 
Velório
 
O cortejo fúnebre e o enterro dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, na manhã de 25/05/2011, em Marabá (PA), foi transformado em um grande ato público pela reforma agrária, que fechou uma rodovia e a Estrada de Ferro de Carajás por ao menos seis horas. Cerca de mil pessoas participaram do funeral do casal, executado a tiros na manhã da quarta-feira 24, em Nova Ipixuna, município a 390 quilômetros de Belém, a capital paraense.
 
O velório foi realizado na casa de um irmão de José Claudio, num espaço que, em dias comuns, funciona um bar. De lá, centenas de pessoas percorreram um trajeto com pouco mais de 6 quilômetros até o Cemitério da Saudade, em Marabá, a quarta cidade mais violenta do Brasil, com taxa de 125 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo o “Mapa da Violência 2011”. O grupo parou a rodovia PA 150, a mesma que, a quilômetros dali, foi palco da morte de 19 trabalhadores sem-terra em 1996, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás. O cortejo também passou pela ponte sobre o rio Tocantins, onde, em 1986, nove garimpeiros foram mortos pela Polícia Militar.
 
Sob sol forte, algumas pessoas passaram mal e uma senhora chegou a desmaiar. Em meio às manifestações de tristeza e revolta, uma mulher tomou o microfone para dizer: “Agora, caiu Maria e caiu Zé Cláudio. Mas, ao mesmo tempo, se levantaram outras cem Marias e ouros cem Zé Cláudios para dar continuidade ao trabalho deles, para defender a floresta.”
 
Após o funeral, estava prevista uma reunião entre autoridades do governo e líderes de movimentos sociais no assentamento em que o casal assassinado vivia. Entre os amigos e parentes, o temor é que a impunidade prevaleça. Sobretudo após a Secretaria de Segurança Pública do Pará afirmar que desconhecia as ameaças contra José Cláudio, apesar de a imprensa ter noticiado o fato. O ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, também disse que o casal não constava em nenhuma relação de ameaçados em conflitos agrários. “Ele e seu advogado nos procuraram em novembro do ano passado, mas quando íamos nos reunir, eles cancelaram. Depois não marcaram outra data. O assunto morreu.”
 
As declarações geraram desconforto entre os participantes do funeral. “Nosso cotidiano era de ameaça permanente. Acordávamos quase todo dia com os cachorros assustados, com picapes rondando a casa”, comenta Laísa Santos Sampaio, de 45 anos, irmã de Maria e vizinha do casal assassinado.
 
Também ameaçado de morte, Charles Trocate, líder do Movimento Sem Terra (MST) na região, manifestou pesar e preocupação. “Ninguém deseja morrer, muito menos por morte mandada, morte executada por profissionais da morte.” O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) José Batista diz que as organizações sociais vão continuar pressionando o governo para denunciar os crimes ambientais e os conflitos fundiários na região. “A luta agora é para que não haja impunidade.”
 
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, enviou um comunicado de condolências à família, mas não compareceu ao velório. Para justificar a ausência, comunicou que estaria à frente de uma operação de combate ao desmatamento em Sinop, no Mato Grosso. Como representante da pasta, o secretário nacional de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Roberto Vizentin, declarou “absoluto repúdio” à morte do casal ambientalista. “Eles viviam num assentamento agroextrativista, especialmente criado para o manejo sustentável dos recursos florestais, mas não era bem assim que as coisas funcionavam. O casal sempre denunciou a atuação de madeireiras na região.”
 
Entre as medidas anunciadas pelo secretário está a intensificação das ações de fiscalização em Nova Ipixuna. “Não se trata de promover uma caça-às-bruxas aos assentados que são pagos para derrubar a floresta, até porque eles constituem o elo mais fraco dessa criminosa cadeia produtiva. Mas vamos fechar o cerco àqueles dispostos a comprar e revender as árvores derrubadas”, afirmou Vizentin a CartaCapital. “Para os assentados, a estratégia é desenvolver ações para fortalecer a economia florestal sustentável, para que esses trabalhadores tenham uma fonte segura de renda e não precisem derrubar a mata para sobreviver.”
 
Para Laísa, o exemplo da irmã e do cunhado prova ser possível viver da floresta sem destruí-la. “Eles eram filhos de castanheiros extrativistas. A raiz deles era a ideologia da floresta. Minha irmã sempre dizia que a economia da floresta era viável. Cada árvore derrubada vale de 80 a 100 reais, ao passo que um litro de óleo de castanha vale bem mais, pode custar até 150 reais”, comenta.

Foto: Wilson Lima/iG - No velório, faixa em homenagem ao casal morto no Pará

 Foto Rodolfo Oliveira/AG. Pará

Foto: Wilson Lima/iG - Corpo do casal é velado na casa de familiares, em Marabá

Seis meses depois de prever seu próprio assassinato, um líder defensor da floresta tropical foi alegadamente assassinado na Amazônia brasileira. José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa, Maria do Espírito Santo, teriam sido mortos a tiros de espingarda no dia 24/05/2011, em uma emboscada perto da casa deles, em Nova Ipixuna, estado do Pará, a cerca de 60 quilômetros de Marabá. Marabá fica a 440 quilômetros de Belém, capital do Pará

De acordo com um jornal local, Diário do Pará, o casal não tinha proteção policial apesar de receber frequentes ameaças de morte por causa de sua batalha contra madeireiros ilegais e fazendeiros.


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John Charles Fernandes em 10/07/2011 14:45
a floresta chora: http://www.youtube.com/watch?v=iDrtX48duFU

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