Conforme a investigação avançava, descobriu-se que o crime fora forjado por membros da própria família.
Três suspeitos confessaram o crime: Pablo e Ferdinando Tonelli, viúvo e sogro da vítima, respectivamente; e Alexsandro Neves, autor dos disparos, contratado pelos mandantes. Delma Freire, sogra, nunca admitiu culpa no caso e disse que só falaria em juízo. Ela encontra-se presa na Colônia Penal Feminina do Recife.
A reconstituição do crime ocorreu no dia 24 de março de 2010 e contou com a participação dos três suspeitos confessos. Sobre os resíduos de chumbo encontrados nas mãos de Pablo e Ferdinando, o gestor do Instituto de Criminalística, Roberto Nunes de Araújo, explicou que eles teriam apertado a mão de Alexsandro Neves após o crime.
A família morava na Itália com o filho do casal - que tem quatro anos e está vivendo na Itália com a irmã de Pablo - e estava no Recife para passar o carnaval. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o crime foi articulado por Delma e tinha como principal motivação o pagamento de um seguro de vida em nome dela feito por Ferdinando Tonelli no valor equivalente a R$ 1,5 milhão.
Ficou marcado para os dias 27 e 28 de julho de 2011 o júri popular do caso Jennifer Kloker. O julgamento começaria no dia 24/05/2011, mas foi suspenso pelo juiz Djaci Salustiano por volta das 10h30 da manhã. "Lamentamos todo o esforço da Secretaria e Tribunal, mas não haverá clima para proseguir com o julgamento", disse.
Quando o juiz anunciou o cancelamento, a filha de Delma Freire, Roberta, se aproximou dos acusados para uma conversa em tom exaltado, elevando bastante o tom de voz. No momento da retirada dos acusados do plenário, Roberta voltou a gritar. "Ela ia confessar, foi o Penha que não deixou". Penha é José Carlos Penha, advogado de Delma.
“Eu fui respaldado dentro da lei. eu fui respaldado dentro de um documento que já se encontra nos autos. Sinceramente, eu não iria pedir, mas como a doutora Gleide, na sua autoridade máxima, numa entrevista para um certo jornal, atestou que minha cliente é uma psicopata, ela me pôs em dúvida. Por isso estou pedindo um exame, pois eu estou em dúvida, eu posso requer”, afirmou José Carlos Penha.
O tumulto na sala começou por volta das 10h40, quando o advogado de defesa de Delma Freire solicitou que fosse realizado um exame de sanidade mental na acusada e o juiz acatou. Delma Freire chegou a passar mal e recebeu atendimento médico no local. Ela será levada ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), na Ilha de Itamaracá, para ser submetida ao exame.
Advogados de defesa também pediram, por excesso de prazo, a libertação de Pablo e Ferdinando. O juíz está reunido com promotores e advogados para definir detalhes e encaminhamentos dos acusados.
“Eu imaginava que a defesa viesse com alguma hipótese de adiamento. O advogado chegou atrasado, com documentação toda pronta, se baseando numa entrevista dada pela delegada [Gleide Ângelo]. Ele é advogado de Delma há mais de um ano, ela assina os documentos, é perfeitamente sã. Eles queriam adiar o julgamento só dela, mas se deram mal, porque nós conseguimos adiar o julgamento de todos. A Delma estava muito bem instalada, mas já foi encaminhada para o hospital psiquiátrico. Quando ela soube que iria para o manicômio ficou desesperada. A defesa viu que deu um tiro no próprio pé”, afirma o promotor André Rabelo.