o juiz da 3ª Vara Criminal, Ivo Salgado da Rocha, negou o pedido de liberdade protocolado pela defesa de Christiano. Durante depoimento, ele informou aos policiais que é lutador de Jiu-Jitsu.
A vítima trabalhava no local há três meses, fazia "bico" para poder pagar um carro. Depois do velório, que aconteceu ontem no cemitério Santo Amaro, parentes e amigos inconformados fizeram manifestação em frente ao Fórum de Campo Grande pedindo justiça. Foram necessárias muitas pessoas para imobilizar o agressor, que parecia ainda querer continuar a confusão. Christiano ainda foi para casa e só foi preso quando testemunhas ligaram para a polícia informando a placa do carro.
De acordo com a Polícia, Christiano já tem uma passagem por lesão corporal ao se envolver em briga durante uma festa no parque de exposições Laucídio Coelho, em 2009.
“Meu filho saiu bem de casa para trabalhar e vou receber ele no caixão. Todo mundo está revoltado. Ele era muito querido. A gente quer justiça. Meu filho estava trabalhando”, diz a cozinheira Selma Gomes Vieira, 40 anos, mãe do segurança, Jeferson Bruno Gomes Escobar.
Ela conta que Jeferson era um rapaz cheio de planos. Havia começado a cursar direito em uma universidade particular da Capital, a qual pagava com o dinheiro do trabalho como segurança, que trancou após a compra do primeiro veículo, há 2 meses. “Nem desfrutou do carrinho dele”, disse a mãe.
A meta de Jeferson era terminar a faculdade e prestar concurso público para a carreira de policial.
O jovem vivia e cuidava da avó idosa em uma casa próxima a da mãe, a qual freqüentava diariamente. Selma lembra que viu o filho pela última vez na noite de ontem (19), pouco antes de ir trabalhar. Hoje, ele havia prometido jantar na casa dela durante reunião de família, já que parentes de Minas Gerais e Aquidauana visitavam a cidade.
“Ele era alegre, brincalhão, tinha um monte de amigos”, disse a mãe.
Apesar de clamar por justiça, Selma afirma não confiar na punição do responsável. “A justiça é lenta. Para pobre não existe. Mas da justiça de Deus ele não está livre. Tirou meu filho na flor da idade”, disse a mãe.
O advogado de Christiano, Abdalla Maksoud Neto, afirma que o cliente estava “muito bêbado” e apenas se defendeu sem a intenção de matar. Segundo ele, o jovem é recém formado em Direito e tem emprego no serviço público, mas não soube dizer em qual órgão.
“Todos dizem que o segurança estava sobre o Christiano, que para se desvencilhar do cara, que era muito maior do que ele deu um soco”, garante. Abdala considera o caso “uma fatalidade”. “Ninguém quer matar ninguém dando um soco, não é?”
Impunidade
A Justiça mandou soltar, na tarde de 02/05/2011, o bacharel em Direito Christiano Luna de Almeida, de 23 anos, preso há 40 dias, acusado de matar o segurança Jeferson Bruno Gomes Escobar, conhecido como Brunão, durante uma confusão ocorrida em uma casa noturna na avenida Afonso Pena, em Campo Grande, no dia 19 de março.
A decisão foi dada pela 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça, ao julgar o pedido de habeas corpus, que havia sido negado pelo juiz de primeiro grau e na apreciação da liminar pelo TJ.
O alvará de soltura de Christiano já foi expedido. Os advogados que o defendem, Ricardo Trad, Assaf Trad Neto e Ralph Cunha Nogueira, tiveram aceito o argumento de que a manutenção de Christiano não tinha motivos.
Durante a sustentação oral na sessão que julgou o habeas corpus, o advogado Ricardo Trad voltou a rechaçar a tese da acusação de homicídio doloso. Para o advogado, o que aconteceu foi uma rixa qualificada, como são tipificadas criminalmente brigas com agressões mútuas.
De acordo com o defensor, a perícia no vídeo feito durante a confusão mostrou que houve uma luta corporal entre Christiano e três seguranças da casa noturna, incluindo Jefferson Bruno, conhecido como Brunão.
Outra contestação feita pela defesa é em relação à versão de que Christiano, praticante de jiu-jitsu, teria usado golpes da arte marcial contra Jefferson Bruno. Para isso, Ricardo Trad cita o depoimento de um integrante da Federação de Artes Marciais. "O depoimento à Polícia aponta que Christiano se defendia a esmo. Isso não pode ser visto como golpe de arte marcial".
Acusação questionada- Para ele, não faz sentido a acusação de homicídio doloso qualificado, que consta da acusação feita pelo Ministério Público Estadual. “Motivo torpe é queimar um índio vivo, como já aconteceu no País”, comparou. O advogado afirma que seu cliente vem sendo massacrado pela opinião pública e que está havendo prejulgamento,principalmente por parte da imprensa.
Trad afirmou que após o julgamento no TJ, ele e os outros advogados, um deles seu filho,chegaram a ouvir ofensas de familiares de Brunão. “Depois, pediram desculpa e o clima serenou.
Mesmo assim, o advogado diz que vai pedir “cautelas”, ou seja, segurança, na saída de Christiano do Presídio de Trânsito, onde está desde o dia da confusão que resultou na morte do segurança.