Autor: Carlos Santiago
Gabriela Sou da Paz
Diga não à impunidade
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Patrícia da Costa Pessanha (Trânsito)



 


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Aviso O Movimento Gabriela Sou da Paz não se responsabiliza pela exatidão e veracidade das informações contribuidas voluntariamente abaixo.


Data do Ocorrido: 28/03/2004

Localização: Rio de Janeiro (RJ)

Data de Nascimento: 20/06/1985 (18 anos)

Data de Falecimento: 29/03/2004

Sexo: Feminino Feminino
 

Por Maria Valéria Cesar da Costa e Sérgio Gomes Pessanha pais de Patrícia da Costa Pessanha

Eu e Sérgio, já há quatro anos juntos, estamos grávidos, grávidos de uma menininha a qual demos o nome de Patrícia da Costa Pessanha, em vinte de junho de mil novecentos e oitenta e cinco. Um bebe de três quilos e quatrocentos e vinte gramas, 51 cm, vermelhinha como um camarão e os cabelos arrepiados como se fosse uma cantora punk. A cada dia que se passavam todos a achavam parecidíssima comigo.

Patrícia era uma criança alegre, gostava muito de brincar com suas amiguinhas, sempre as levando para sua casa. Eu como sempre tinha que estar preparada, pois ela as trazia para passar o dia, almoçar, lanchar, etc...
No colégio era muito bem relacionada com professores e coleguinhas. Começou a estudar com três anos e meio sem nunca ter repetido um ano sequer. Ao contrário, pulou do jardim dois para a alfa. Nessa época, morávamos em São Gonçalo. Após alguns anos, voltamos para o Rio e a transferimos para o colégio Guanabarense onde estudou até a sexta série, tendo então conseguido uma vaga no Instituto de Educação, aonde veio a conhecer, dentre outras amiguinhas, Juliana Sant’Anna da Silva, nascida em trinta de dezembro de mil novecentos e oitenta e quatro. Tornando-se sua amiga inseparável. Estavam sempre juntas, para estudar, sair, fazer compras, enfim, eram a corda e a caçamba.
 
Patrícia cresceu sempre muito responsável. Nunca nos deu trabalho ou qualquer tipo de preocupação. Muito estudiosa, estava sempre em busca do seu ideal: chegar à faculdade e formar-se em uma grande jornalista. Adorava ler e escrever versos, contos e poemas. Por ser estudiosa e boa filha merecedora de nossa confiança, não era justo negar-lhe os pedidos que nos fazia, como qualquer jovem de sua idade. Aos dezessete anos já poderia estar na faculdade, mas preferiu fazer um cursinho para preparar-se melhor. Aos dezoito anos, já cursando o primeiro período de Comunicação na Estácio (Rebouças), ela e Juliana estavam sempre de olho nos eventos do momento, que eram suas paixões (as micaretas. Ivete, Chiclete, Babado Novo, entre outros). Mas elas não deixavam de lado suas responsabilidades com os estudos. Estavam sempre em busca de novos cursos.
Assim como Juliana, Patrícia parecia ser diferente. Tínhamos a nítida impressão que ela tinha pressa de viver. Determinada, decidida, despachada, resolvia tudo. Nunca precisamos mandá-la estudar, inscrever-se em cursos, no ENEM, entre outros concursos. 
 
Gostava muito dos amigos e preservava o bom relacionamento com eles. Adorava dançar. Malhava em uma academia próxima de casa. Sempre preocupada com o físico, queria manter a forma. Abria mão de refrigerantes, doces e frituras. Escorregava no chocolate e no sorvete Galak Branco, que era sua paixão. Era muito brincalhona. Às vezes fazia coisas como colocar um travesseiro no traseiro e dançar o Tchan, dizendo ser eu. Lógico que nem só de flores se vive. Por muitas vezes nos desentendíamos, mas logo fazíamos as pazes, pois como ela mesma dizia não se sentia bem nem feliz se estivesse brigada comigo. De personalidade forte, até os amigos falavam que não conseguiam fazê-la mudar de idéia, já que sua conduta de vida, pelo que sabemos muito nos orgulha, por ter sido sempre correta e digna, chegando a desentender-se com alguns amigos por discordar de seu comportamento.
Ela era minha metade. Hoje sinto falta de nossas conversas e vejo o quanto éramos parecidas. Sempre conversávamos sobre nós e falávamos da vida. Como dói a saudade!!!
 
Infelizmente perdemos nossa filha Patrícia e sua amiga Juliana, em um acidente de carro (28/03/2004), um mês depois de ter perdido meu pai de câncer (27/02/2004). O condutor RODRIGO MELO e SILVA de OLIVEIRA e CRUZ, primo de LUCIANO MOTTA de OLIVEIRA e CRUZ, namorado de KARINE ALMEIDA CÉSAR por sua vez prima de Patrícia, ELE, conduzia o veiculo de maneira irresponsável, em alta velocidade e alcoolizado, sem respeito à vida das pessoas que deveria conduzir sãs e salvas e à sua própria vida, destruindo assim, duas famílias. Elas, juntamente com os Três, foram a uma micareta sábado no Píer Mauá. Como correu tudo bem, resolveram voltar para a continuação do evento no domingo. Ao saírem, Juliana telefonou para Teresa, sua mãe, avisando que estavam a caminho do carro. Por ser domingo, dez horas da noite e não havendo muito movimento no trânsito, pensamos que nossas filhas estariam em casa dentro de quinze a vinte minutos.
 
No carro estavam Rodrigo e Luciano na frente. No bando traseiro estavam Juliana, atrás do motorista, Patrícia no meio e Karine atrás do Luciano. Rodrigo saiu da Av. Rio Branco para a Av. Presidente Vargas, em alta velocidade.
Segundo testemunhas, vinha  brincando em ziguezague, tendo perdido o controle do carro, subindo o meio-fio com mais ou menos quarenta centímetros arrastando-se por dezenove metros, colidindo com um vaso ornamental de meia tonelada, arrastando-se ainda por mais vinte e sete metros. Ás vinte e duas horas e vinte minutos toca o telefone em nossa casa, era a mãe de Karine,MÁRCIA ALMEIDA CÉZAR, para quem, tenho um sentimento maior em relação a tudo que aconteceu, ela me garantiu que o rapaz era de confiança e responsável,avisando que havia acontecido um acidente com as meninas e que fossemos imediatamente para o local. Fiquei arrepiada e gelei. Imediatamente falei para o Sergio, aconteceu algo grave e foi com a Patrícia (18 anos). Sergio se desesperou e eu disse-lhe:- Vamos rápido! Pegamos um táxi e nervosos saímos.
 
Quando chegamos ao local, parecia cena de filme, tudo cercado, bombeiro para todo lado, muitos curiosos. Os bombeiros tentando manter viva nossa filha, já chocada dentro da ambulância e Juliana (19 anos), ali desfalecida, atirada no banco traseiro. Fomos, orientados pelos bombeiros a ir caminhando para o Hospital Municipal Souza Aguiar, pois Lá encontraríamos nossa filha e Juliana que seguiria com eles. Alguns minutos depois tivemos a confirmação de que Juliana falecerá no local do acidente (28/03/2004). Patrícia em coma grau lll, traumatismo abdominal, após três tentativas para ressuscitá-la, sabemos que a quarta e sofrimento, nossa filhinha se foi (29/03/2004)...
E agora? Choro? Grito? Enlouqueço?
Algo me aperta aqui dentro do peito, dói muito.
Penso nos meus filhos, na minha mãe, no Sérgio, meu companheiro que perde sua única filha. O que fazer?
 
E Juliana, única filha e neta. Estaria eu, certa, egoísmo de minha parte querer que minha filha sobrevivesse a toda aquela situação. Não sei. Por que seria eu privilegiada? Tentei rezar. Só pensava em Nossa Senhora, que vendo seu filho morrer na cruz, manteve-se firme diante dele. Eu sei que de certa forma, a vida vinha me preparando. Para algo que me aconteceria, só não sabia que perderia o maior tesouro a mim confiado.
A maior felicidade que uma mulher pode ter na vida é o nascimento de um filho e o pior é perdê-lo. 
No primeiro momento da dor, minha família foi muito presente. Assim como eu não queria ninguém desesperado eu também procurava manter-me em equilíbrio. Meus amigos, bastante solidários, os descobriram, onde não imaginava. 
 
Através de uma amiga na época do acidente, orientou-nos a procurar a Comissão Cidadão do DETRAN, lá foi instaurado um processo que após ser averiguado, constatou-se a irresponsabilidade do condutor, o responsabilizando a perda da carteira de habilitação por um ano. No mesmo dia da abertura desse processo, fomos encaminhados a sala do NAVI (NÚCLEO DE APOIO A VÍTIMAS DE TRÂNSITO), coordenado por Maria José da Silva Amaral também psicóloga. Ela que por sua vez soube compreender tão bem a dor que passávamos, por ter perdido mãe e filhinha em um acidente. Passado algum tempo fomos convidados a participar com Maria José, Grupo de Solidariedade Telefônica, onde outras vítimas sofridas, infelizmente pela mesma dor, eram consoladas por nós, que já nos encontrávamos mais “FORTES”
 
Decidimos que entre enlouquecer, gritar, quebrar tudo ou fazer justiça com as próprias mãos, é melhor tentarmos mudar alguma coisa e fazer com que outros jovens não percam a vida como nossas filhas. Assim, distribuímos folhetos de alertas e conscientização, entre entrevistas de TV e Jornais. 
Hoje, eu, Sérgio e Teresa, tentamos fazer com que haja algum sentido na vida. Que não seja só perder por culpa de algum irresponsável e vivermos com a sensação da impunidade e da  dor, essa dor que queima, que dói na alma que a menor lembrança sangra . Que DEUS não nos abandone nunca.
 
     

Patrícia da Costa Pessanha, 18 anos, perdeu a vida num acidente de trânsito devido a irresponsabilidade do condutor do veículo que dirigia em alta velocidade e alcoolizado no dia 28/03/2004, vindo a falecer no dia seguinte. O acidente aconteceu no Rio de Janeiro.

A Comissão Cidadão do DETRAN, instaurou um processo que após ser averiguado, constatou-se a irresponsabilidade do condutor, o responsabilizando a perda da carteira de habilitação por um ano.



Não será publicado.




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Marcio Roberto Da Silva em 05/03/2013 22:50
POSTEI O LINK DO BLOG DE VOCÊS EM MEU FACE BOOK. FIZ UM ALERTA PRAS PESSOAS NÃO BEBEREM, PRAS PESSOAS TEREM MAIS AMOR A VIDA....ELA É POR DEMAIS PRECIOSA.....ESPERO QUE VOCÊS NÃO FIQUEM BRAVOS COM ISSO. MAS EU , QUE NAO BEBO JAMAIS, FIZ UM ALERTA....PARA QUE AS PESSOAS PAREM DE BEBER ALCOOL E DIRIGIR.......

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