Os moradores de Pelotas-RS ainda tentam encontrar uma explicação para uma cena chocante ocorrida na madrugada de quarta-feira 09/03/2005, no centro da cidade. A cadela Preta de rua foi amarrada por jovens no pára-choque de um veículo e arrastada por mais de cinco quadras. Pedaços da cadela Preta e dos filhotes que nasceriam em um mês ficaram espalhados pelo asfalto.
A cadela Preta era o xodó da vizinhança. Recebia comida, carinho e tratamento de saúde. Quando nascessem, seus filhos já tinham endereço certo. Michele Silva, 29 anos, que cuidava da cadela há mais de um ano, estava se preparando para recebê-la em casa depois do parto e havia conseguido donos para a ninhada.
- Ela era toda preta com uma mancha branca no pescoço. Era uma pastor belga misturada. Muito dócil - relembra Michele, proprietária de uma pet shop localizada nas proximidades do local onde a cadela foi morta.
Em mãos, ela tem uma lista com mais de 15 nomes de pessoas que ajudavam a cadela Preta. Durante o dia, a cadela Preta recebia comida dos moradores e de estudantes de Odontologia, cuja faculdade se localiza próximo ao lugar onde a cadela Preta vivia. À noite, ela se instalava junto à churrasqueira de um bar. Lá, tinha o privilégio de ter carne assada somente para ela.
- Era nossa amiga. Não dávamos restos. Tirávamos o churrasco do espeto mesmo - revela um morador que prefere não se identificar por medo de retaliações.
A madrugada de quarta-feira já começava quando um grupo de jovens bebia no bar onde a cadela Preta costumava passar as noites. Por diversão, eles amarraram a cadela Preta em um poste.
- Meu irmão chegou e pediu que eles a desamarrassem porque era mansa e não machucava ninguém. Ficaram todos rindo. Isso foi lá pelas 3h - lembra um morador que estava no bar.
Michele e alguns amigos, que estavam em outra mesa do bar, escutaram os gritos da cadela Preta de longe. Acharam que a cadela Preta havia sido atropelada. De repente, viram os rapazes em dois veículos, e a amiga peluda sendo arrastada por uma corda pela rua.
- Eles andaram com ela por mais de cinco quadras. Corremos para pegar o carro e saímos atrás. De nada adiantou nossos prantos. Eram jovens, de boa aparência. Para mim, isso é coisa de gente que não tem coração - diz Michele.
Os moradores próximos que costumavam ajudar a cadela Preta estão revoltados com a violência contra o animal. A foto da cadela Preta ainda está no mural do bar onde ela costumava se abrigar.
A polícia abriu inquérito para investigar a queixa de crueldade contra a cachorra. Segundo o delegado Osmar Silveira dos Anjos, três pessoas já haviam sido ouvidas ontem. Um dos supostos envolvidos, de 21 anos, já teria sido identificado. A polícia deverá ouvir ainda outras testemunhas
do fato. As investigações deverão apontar de que forma os responsáveis poderão ser punidos.
Em 2007, saiu a sentença na Justiça. Os três rapazes acusados de envolvimento na morte de uma cadela, que foi amarrada a um carro e arrastada pelas ruas de Pelotas, foram condenados a pagar R$ 5 mil ao canil municipal e obrigados a prestar 12 meses de serviços comunitários por maus-tratos contra o animal. A decisão foi determinada ontem pelo Juizado Especial Criminal de Pelotas.
Os 3 monstros: Alberto Conceição Cunha Neto (21 anos, advogado e engenheiro agrícola), Marcelo Schuch (21 anos, aluno de pré-vestibular) e Fernando Siqueira Carvalho (22 anos, engenheiro agrícola), aceitaram a proposta apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o local onde os acusados vão prestar serviços ainda não foi definido, pois eles informaram que mudarão de cidade.


3 monstros Alberto Conceição Cunha Neto, Marcelo Schuch e Fernando Siqueira Carvalho por diversão arrastaram até a morte a cadela Preta em Pelotas - RS, em 09/03/2005.
Em 2007, saiu a sentença na Justiça. Os três rapazes acusados de envolvimento na morte de uma cadela, que foi amarrada a um carro e arrastada pelas ruas de Pelotas, foram condenados a pagar R$ 5 mil ao canil municipal e obrigados a prestar 12 meses de serviços comunitários por maus-tratos contra o animal. A decisão foi determinada ontem pelo Juizado Especial Criminal de Pelotas.
Os 3 monstros: Alberto Conceição Cunha Neto (21 anos, advogado e engenheiro agrícola), Marcelo Schuch (21 anos, aluno de pré-vestibular) e Fernando Siqueira Carvalho (22 anos, engenheiro agrícola), aceitaram a proposta apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o local onde os acusados vão prestar serviços ainda não foi definido, pois eles informaram que mudarão de cidade.