1996, no meio da turbulência política, um novo modelo de administração pública instala-se no país, e com ele a criação das tais Agências Reguladoras. A palavra privatização toma conta dos corredores e bastidores palacianos. Dentre tantos ternos e gravatas circulando freneticamente nos salões, vê-se um pequeno “tailleur”, discreto, acompanhando os figurões políticos. Alguns, sutilmente convocados para uma sala reservada, sentam-se na tão famosa mesa redonda, que na realidade, é oval. Todos se acomodam em suas cadeiras, e o burburinho é constante. De repente entra a figura mais importante do sistema - o Chefe do Estado. Levantam-se, fazem as honrarias, e sentam-se. Alguns Ministros de Estado tomam a palavra, e abrem um imenso mapa sobre a mesa. Já havia visto alguns mapas semelhantes, como por exemplo, o das Empresas de Telecomunicações e de Energia Elétrica, mas aquele era diferente. E como um assombro, o susto abateu-se, ao ouvir a palavra PETROBRAS. O coração disparou, e a audição tornou-se mais aguçada. Enquanto ouvia atentamente, todos os detalhes da exposição, o sangue parecia ferver, e era inevitável a expressão de descontentamento e raiva. Nas reuniões anteriores conseguia disfarçar a indignação frente à estratégia de privatização das empresas nacionais, mas aquele momento era diferente. A impulsividade dos trinta anos deu voz ao ambiente sóbrio, e uma avalanche de palavras ecoou pelas paredes e ouvidos dos interlocutores. A assessora que trabalhava por traz dos bastidores, conhecida por alguns intelectuais pela sua competência profissional, tornou-se visível e notória. A mulher de corpo franzino, que tinha apenas um metro e meio de altura, parecia ter dois metros. Todos a fitavam enquanto ela discursava, defendendo veementemente os interesses da empresa para qual trabalhava, tentando sensibilizar os ouvintes com a sua opinião. O que ela havia esquecido é que milhões de dólares virtuais circulavam embaixo daquele mapa, e que seriam “devidamente” distribuídos, e ninguém estava interessado em ouvir um discurso patriótico e emotivo. O bater da porta soou como uma ameaça. No dia seguinte foi transferida para a Casa Militar da Presidência da República, onde permaneceu sob vigilância. Em 2001, quando “perdeu” uma filha após o nascimento, conseguiu retornar para a sua empresa de origem, a PETROBRAS. Após vários anos sob tortura, viu no retorno, uma oportunidade de recuperar a dignidade, e voltar a trabalhar, mas a perseguição permaneceu, e permanece até hoje, sem saber qual a história que “eles” contaram, e ainda contam... Perdi minha profissão, recursos, residência, amigos, tudo...mas o principal - PERDI MINHA ÚNICA FILHA...
Em 2001, quando “perdeu” uma filha após o nascimento, conseguiu retornar para a sua empresa de origem, a PETROBRAS. Após vários anos sob tortura, viu no retorno, uma oportunidade de recuperar a dignidade, e voltar a trabalhar, mas a perseguição permaneceu, e permanece até hoje, sem saber qual a história que “eles” contaram, e ainda contam... Perdeu a profissão, recursos, residência, amigos, tudo...mas o principal - Perdeu a única filha: Verônica Torres da Fonseca