Wesley Guilber de Andrade, de 11 anos morreu atingido por uma bala perdida dentro da sala de aula de um Centro Integrado de Ensino Profissionalizante (Ciep) próximo à passarela de Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro. A polícia fazia uma operação na região da escola, cercada por favelas. Além do estudante, outras seis pessoas morreram.
O menino estudava no Ciep Rubem Gomes no momento em que policiais militares do 9º Batalhão (Rocha Miranda) trocavam tiros com bandidos que, de acordo com testemunhas, seriam do Morro do Chapadão.
Eram oito e meia da manhã. Pelo menos 30 crianças assistiam a uma aula de matemática, quando ouviram os primeiros tiros.
“Aí deu o primeiro tiro, a tia mandou a gente abaixar. Deu o segundo, a tia mandou a gente abaixar. Aí, a tia foi lá pra secretaria pra ver o que aconteceu”.
Um funcionário percebeu que um estudante tinha sido atingido. “Eu vi o aluno caído no chão. Aí o segurei pra pedir a ele pra tentar levantar, porque eu imaginei que ele estivesse caído, quando eu vi a poça de sangue”.
Era Wesley Guilber de Andrade, de 11 anos. Socorrido por professoras, ele chegou morto ao hospital. Um tiro de fuzil teria atingido o coração do menino.
A escola, no bairro de Costa Barros, é cercada por quatro favelas. A polícia fazia uma operação na região.
Segundo testemunhas, homens com roupas pretas faziam disparos de uma passarela, perto da escola. “O tiro partiu da passarela. Até porque a sala é quase na direção da passarela”.
Durante a operação, outras seis pessoas morreram. Armas, drogas e granadas foram apreendidas e quatro pessoas presas.
O comandante do batalhão da PM responsável pela operação foi exonerado. A perícia ainda não determinou de onde partiu o tiro que matou o aluno. As armas dos policiais que participaram da operação foram apreendidas.
“O comandante geral determinou que a corregedoria apure exatamente como a operação foi planejada, como foi desenvolvida no terreno”, declarou o tenente-coronel Lima Castro, relações pública da PM - RJ.
Pais e moradores fizeram um protesto e colocaram fogo em pneus perto da escola, que ficou fechada no turno da tarde.
“Menino com um lápis na mão. Ele faleceu com um lápis na mão direita, um lápis preto na mão”.
Os pais do Wesley Guilber de Andrade, passaram a tarde inteira no Instituto Médico Legal. O corpo do menino só foi liberado no início da noite. Para eles, ficou a lembrança de um garoto alegre, inteligente e que gostava muito de estudar.
“Eu perdi meu filho, não adianta saber quem foi. Para mim, agora não interessa mais. Perdi meu filho, mais um na estatística. Fazer o quê?”, emocionou-se Ricardo de Andrade, pai de Wesley.
Wesley Guilber de Andrade é mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro.
Balas Perdidas...quando isso vai ter fim?
O cantor, Leandro Sapucahy, expressou nessa linda música " Bala Perdida" toda a realidade da dor de uma família que perde o seu ente querido, vítima de bala perdida...


A Polícia Militar informou em nota que vai apurar as circunstâncias da morte de Wesley Guilber de Andrade. O trabalho será acompanhado pelo Comandante Geral da PM, coronel Mario Sérgio. "O Comandante Geral determinou que a Corregedoria da PM apure com celeridade as circunstâncias da operação do 9º BPM nas imediações do Ciep de Costa Barros, onde uma criança de 11 anos foi morta vítima de um projetil de arma de fogo", disse a PM em comunicado.