Jorge Antônio Careli, 30 anos, servidor da Fiocruz, falava em um orelhão público da favela de Varginha, em Manguinhos, quando, segundo testemunhas, foi abordado, espancado e levado para uma Kombi por policiais da DAS que iniciavam uma batida no local em busca de um suspeito de seqüestro, em 10/08/1993.
A imprensa começa a cobrir o caso e a Fiocruz mobiliza a sociedade para a busca de Jorge Antônio Careli. Os dias se passam e provas irrefutáveis aparecem. A polícia admite a possibilidade da participação da equipe da DAS - então chefiada pelo delegado Hélio Vígio. Numa Kombi da DAS são descobertos restos de cabelo, vestígios de água e perfurações de bala.
Após mais de dois anos de processo, uma sentença de absolvição tão estúpida quanto injusta: o juiz Heraldo Saturnino de Oliveira, da 6ª Vara Criminal, conclui que "não há dúvida de que Jorge Antônio Careli foi espancado e talvez morto por algum dos réus, mas não logrou a acusação demonstrar quem, entre os 23 acusados, assim agiu e muito menos conseguiu provar a adesão dos demais policiais à prática ilícita". São absolvidos 22 acusados e a punibilidade do acusado Armando Correia da Silva fica extinta por causa de sua morte.
A Presidência da Fiocruz, a Asfoc e outras instituições de defesa dos direitos humanos denunciam a absolvição à Anistia Internacional e à Comissão de Direitos Humanos da OEA e a promotoria entra com recurso no Tribunal de Justiça. Em 25/08/1995, Lindalva dos Prazeres testemunha ter visto Careli na "sala do pau" da DAS na manhã em 11/08/1993. "Eu perguntei a ele, você é seqüestrador? E o rapaz disse: não, eu trabalho na Fiocruz", contou Lindalva, durante entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo. O Ministério Público reabre o caso mas, meses depois, ao término da apuração, o juiz Heraldo Saturnino ratifica a sentença anterior.
Em 1999, com o governo do Estado do Rio de Janeiro reconhecendo sua responsabilidade, os pais de Jorge Antônio Careli, Antonio e Maria Careli, receberam, cada um, uma indenização de R$ 22,5 mil por danos morais e pensão mensal de R$ 875 por danos materiais. O corpo de Jorge Antônio Careli nunca foi encontrado.
Após mais de dois anos de processo, uma sentença de absolvição tão estúpida quanto injusta: o juiz Heraldo Saturnino de Oliveira, da 6ª Vara Criminal, conclui que "não há dúvida de que Jorge Antônio Careli foi espancado e talvez morto por algum dos réus, mas não logrou a acusação demonstrar quem, entre os 23 acusados, assim agiu e muito menos conseguiu provar a adesão dos demais policiais à prática ilícita". São absolvidos 22 acusados e a punibilidade do acusado Armando Correia da Silva fica extinta por causa de sua morte.