É doloroso perder alguém de quem se gosta muito, pior ainda é abrir os jornais e ler que esta pessoa que perdi está sendo rotulada de marginal. Para quem não sabe, Thiago do Nascimento Braz, não era um marginal e não fazia parte do bando de ninguém. Era apenas um rapaz cheio de vida e sonhos, que foi a um baile escondido dos seus pais e namorada para se divertir e que por crueldade de alguns não voltou mais.
Thiago do Nascimento Braz, 18 anos de idade, era um rapaz de família humilde, porém honesta, morava na favela do Dendê, lugar este onde não moram apenas marginais, muita gente boa e honesta se encontra ali, por causa da grande desigualdade social em que se encontra o nosso país. Ele era estudante e trabalhador, tinha acabado de completar 18 anos (30/11/03) e estava todo satisfeito, pois havia se alistado para servir a pátria. Havia feito também estágio na Cedae, durante aproximadamente dois anos até 11/2003. Venho através deste relato, descrever a minha perplexidade diante dos fatos e pedir um olhar atencioso das autoridades no que diz respeito a nossa segurança, ela não deve ser provisória e sim constante, com policiais íntegros e corretos, o que precisamos agora é de Paz.
O Thiago do Nascimento Braz conviveu com a minha família mais de 3 anos saindo todo fim de semana conosco, carnaval passando junto, gostaria de saber como um garoto sem ficha criminal é colocado pela policia e pelo nosso secretário de segurança da época (senhor Antony Garotinho) como um traficante, ele somente estava no local errado, na hora errada.
Lourival Lemos - Sogro do Thiago
Thiago do Nascimento Braz, 18 anos, estudante, foi morto em um baile funk na comunidade do Dendê, Rio de Janeiro-RJ, em 01/12/2003.