Autor: Carlos Santiago
Gabriela Sou da Paz
Diga não à impunidade
Blog Blog   |   Fale Conosco Fale Conosco   |   Cadastro Cadastro   |   Depoimento Depoimento
 
 
 
Você está em: Inicial > memorial > perfil.php

Thiago da Costa Correia da Silva (Chacina)



 


Participe Participe cadastrando seu caso de impunidade.

Aviso O Movimento Gabriela Sou da Paz não se responsabiliza pela exatidão e veracidade das informações contribuidas voluntariamente abaixo.


Data do Ocorrido: 16/04/2003

Localização: Rio de Janeiro (RJ)

Data de Nascimento: 03/07/1983 (19 anos)

Data de Falecimento: 16/04/2003

Sexo: Masculino Masculino
 

Thiago da Costa Correia da Silva, 19 anos, era formado em mecânico de manutenção pelo SENAI e trabalhava na HAZTEC (Tecnologia de Planejamento Ambiental), onde exercia a função de Assistente Técnico. À noite estudava no Colégio Estadual Afonso. Em 16/04/2003, ao retornar da barbearia, Thiago da Costa Correia da Silva foi executado sumariamente juntamente com Carlos Alberto e Everson por policiais militares, quase na porta de sua casa.

Em 16/04/2003, dezesseis policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) realizaram uma operação no morro do Borel, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Impedidos de se identificarem, quatro rapazes foram assassinados durante a operação: Carlos Alberto da Silva Ferreira, pintor e pedreiro; Carlos Magno de Oliveira Nascimento, estudante; Everson Gonçalves Silote, taxista e Thiago da Costa Correia da Silva, mecânico.

Carlos Magno de Oliveira Nascimento vivia com sua mãe e seu padrasto, na Suíça, onde estudava. Veio ao Brasil para se alistar no serviço militar e morava, provisoriamente, na casa da sua avó materna no morro do Borel. Naquela tarde em16/04/2003, foi encontrar com Thiago da Costa Correia da Silva, seu amigo de infância, na barbearia para cortar o cabelo. A barbearia, que é muito procurada pelos moradores mais jovens do Borel, fica na Estrada da Independência, uma das principais vias que sobem o morro e por onde é possível transitar de carro. Quando Carlos Magno de Oliveira Nascimento e Thiago da Costa Correia da Silva saíram do barbeiro, escutaram os tiros e correram. Carlos Alberto da Silva Ferreira, outro morador da comunidade que tinha acabado de chegar na barbearia, também ouviu os tiros e correu. Pensando que os tiros estavam vindo de baixo, da própria Estrada da Independência, os três rapazes atravessaram a via e entraram numa vila bem em frente, conhecida como Vila da Preguiça.

Ao entrar na Vila da Preguiça, os três rapazes foram alvejados. Um grupo de policiais estava na laje de uma casa em construção na mesma vila onde entraram os rapazes e de cima da laje partiram os primeiros disparos. Carlos Magno de Oliveira Nascimento morreu na hora: levou seis tiros, dentre os quais três pelas costas (cabeça, braço direito e região escapular esquerda) e três tiros pela frente (ombro esquerdo, bacia e clavícula). Mas os tiros não partiam só de cima da laje. Thiago da Costa Correia da Silva, 19 anos, ainda agonizou no chão pedindo socorro e dizendo que era trabalhador. Morreu após levar cinco tiros, quatro pela frente e um pelas costas (região dorsal direita). O laudo ainda atesta uma “alta energia cinética” na saída dos projéteis, o que demonstra que alguns dos disparos foram efetuados à “queima roupa”. Confirmando a versão dos disparos a curta distância, o laudo de Carlos Alberto da Silva Ferreira também aponta para uma “alta energia cinética” na saída dos projéteis. “Carlinhos”, como era conhecido, tinha 21 anos. Sofreu doze disparos, sete deles pelas costas, além de fratura no antebraço e no fêmur. É importante observar que cinco dos disparos atingiram a parte interna do seu ante-braço direito e mãos direita e esquerda – o que demonstra que tentava se defender dos tiros efetuados contra ele.

Everson Gonçalves Silote, a outra vítima fatal desta operação, voltava para casa à pé quando foi rendido por policiais militares na Estrada da Independência. Como trazia na mão um envelope com todos os seus documentos, Everson tentou se identificar e, por esse motivo, teve seu braço direito quebrado por um golpe do policial. Afirmando ser trabalhador, insistiu em mostrar os documentos, mas foi executado antes de apresentá-los. Everson Gonçalves Silote tinha 26 anos. Levou quatro tiros pela frente (dois em regiões vitais: cabeça e coração) e um pelas costas (próximo à coluna cervical).

Além das quatro vítimas fatais, essa incursão da polícia militar no morro do Borel deixou baleados Pedro da Silva Rodrigues e Leandro Mendes. Ao fim das quatro execuções, os policiais colocaram os corpos de Carlos Magno de Oliveira Nascimento , Thiago da Costa Correia da Silva, Carlinhos e Everson Gonçalves Silote dentro do camburão que estava estacionado na saída da Vila, na própria Estrada da Independência. Nenhum morador da comunidade conseguiu se aproximar das vítimas, nem mesmo seus familiares. Tiveram que se contentar com as “instruções” dos policiais: “Se quiser ver vai atrás, no [Hospital do] Andaraí.”

As investigações do caso do Borel contaram com perícias realizadas pela Polícia Federal (maio/2003) e pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (junho/2003), que foram acompanhadas pelo Corregedor Geral da Polícia Unificada do Rio de Janeiro. A conclusão dos peritos foi de que os quatro rapazes haviam sido mortos numa emboscada. Diante deste resultado, em junho de 2003, o delegado Orlando Zaccone (19a DP), indiciou apenas cinco dos dezesseis policiais envolvidos por homicídio qualificado.

Em 27/10/2004, o 3° sargento da PM, Sidnei Pereira Barreto, foi julgado na 2a Vara Criminal, II Tribunal do Júri (Rio de Janeiro) e absolvido por júri popular. Em 14/02/2005, o 2° tenente da PM, Rodrigo Lavandeira Pereira, que comandou a operação no Borel, também foi julgado e absolvido pelo júri popular. Tais absolvições, mesmo diante da repercussão inclusive internacional do caso, demonstram as conseqüências de inquéritos e processos viciados, e do preconceito cristalizado na sociedade (no caso, refletido na atitude dos jurados). Lembramos ainda que os policiais tiveram como principal defensor Clóvis Sahione, um dos mais caros e polêmicos advogados do Rio de Janeiro.

Em 18/10/2006 foi julgado e condenado o cabo Marcos Duarte Ramalho, a 52 anos de prisão, pelos homicídios qualificados e tentativa de homicídio. O julgamento atravessou a noite. Durante todo o tempo, as mães das vítimas Thiago da Costa Correia da Silva (Dalva) e Carlos Magno de Oliveira Nascimento (Marta) estiveram presentes, assim como familiares de outros casos de violência policial.

Como previa na época o Código Penal, o policial teve direito a um novo júri porque sua pena ultrapassava 20 anos de prisão. O novo júri aconteceu em 27/11/2006 e confirmou a condenação, alterando a pena para 49 anos de prisão (45 por três homicídios e 4 por uma tentativa de homicídio).

A condenação de Ramalho parecia ser o início da justiça no caso, e assim acreditavam os familiares das vítimas, entretanto ainda mais sofrimento e decepção as aguardavam.

Apresentando recursos em todas as instâncias possíveis, inclusive em Brasília, os policiais que restam ser julgados, Washington Luís de Oliveira Avelino e Paulo Marco da Silva Emilio, ambos também defendidos pelo advogado Clóvis Sahione, bem como por Amaury Jorio, outro conhecido e caro advogado carioca, conseguiram adiar até hoje a realização do júri.

Em 12/03/2009, a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, contrariando o parecer da relatora, a desembargadora Maria Helena Salcedo, decidiu por maioria aceitar o recurso apresentado pela defesa do cabo Marcos Duarte Ramalho, que já estava cumprindo pena, e anulou o julgamento de 27/11/2006. Como conseqüência, Marcos Duarte foi libertado e aguarda novo julgamento.

Tais decisões judiciais, aliadas ao fato de policiais serem defendidos por anos seguidos por alguns dos mais caros advogados do Rio de janeiro, mostram como é árdua a luta por justiça quando se trata de crimes cometidos por agentes do Estado que tem o apoio, aberto ou não de pessoas influentes, dentro e fora da corporação militar. Diante disso, é importante citar integralmente a declaração de voto (vencido) do desembargador Sérgio Verani, na época na 5a Câmara Criminal, o único a se pronunciar a favor da anulação do julgamento que absolveu o primeiro réu, o sargento Sidnei, e do segundo, o tenente Rodrigo Lavandeira:

“Votei no sentido de dar provimento aos recursos do Ministério Público, para que os réus fossem submetidos a novo julgamento, pois a decisão do Júri, ao negar a autoria por quatro a três, é manifestamente contrária à prova dos autos.

A Procuradora de Justiça Vanda Menezes Rocha reconhece que ocorreu um “massacre” no Morro do Borel.

A decisão de quatro jurados, porém, violentando a razão jurídica, afirma que nem o Tenente Rodrigo, Comandante da operação, nem o Sargento Sidnei são responsáveis por esse massacre.

Legitima-se o extermínio.

Se o próprio Comandante da operação policial é desresponsabilizado da morte de quatro cidadãos, quem será o responsável?

Os autos revelam o horror da chacina.

Cerca de quinze projéteis transfixaram os corpos das vítimas. Apenas quatro projéteis são periciados, constatando a perícia que foram disparados por armas de policiais que integravam o grupo do Sargento Sidnei.

Um fuzil, misteriosamente, desaparece.

A testemunha Ana Paula descreve a ação agressiva dos policiais.

A chacina revelada nos autos consta do relatório apresentado à Organização das Nações Unidas, pelo então Secretário de Estado de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, João Luiz Duboc Pinaud, em seu livro Longas Noites Sem Direitos Humanos.

O 2º Tribunal do Júri da capital absolveu por maioria de votos (4 a 3) o policial militar Rodrigo Lavandeira Pereira. O julgamento começou às 10h30 do em 14/02/2005 e terminou às 6h do dia 15/02/2005. Segundo o juiz Luiz Noronha Dantas, os jurados entenderam que o réu não foi o autor dos disparos produzidos contra as vítimas.

Durante o interrogatório, Rodrigo Lavandeira disse não se lembrar de onde vieram os disparos e que se preocupou em socorrer as vítimas após o tiroteio. Das 15 testemunhas que prestariam depoimento, somente sete delas foram ouvidas, sendo duas pela defesa.

Além de Rodrigo Lavandeira, também respondem pelo crime os PMs Washington Luiz de Oliveira Avelino, Marcos Duarte Ramalho, Paulo Marco Rodrigues Emílio e Sidnei Pereira Barreto. Além de Lavandeira, Sidnei foi julgado e absolvido no dia 28 de outubro de 2004, também por maioria de votos.

Thiago da Costa Correia da Silva, 19 anos, era formado em mecânico de manutenção pelo SENAI e trabalhava na HAZTEC (Tecnologia de Planejamento Ambiental), onde exercia a função de Assistente Técnico. À noite estudava no Colégio Estadual Afonso. Em 16/04/2003, ao retornar da barbearia, Thiago da Costa Correia da Silva foi executado sumariamente juntamente com Carlos Alberto e Everson por policiais militares, quase na porta de sua casa.

A chacina revelada nos autos consta do relatório apresentado à Organização das Nações Unidas, pelo então Secretário de Estado de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, João Luiz Duboc Pinaud, em seu livro Longas Noites Sem Direitos Humanos.

O 2º Tribunal do Júri da capital absolveu por maioria de votos (4 a 3) o policial militar Rodrigo Lavandeira Pereira. O julgamento começou às 10h30 do em 14/02/2005 e terminou às 6h do dia 15/02/2005. Segundo o juiz Luiz Noronha Dantas, os jurados entenderam que o réu não foi o autor dos disparos produzidos contra as vítimas.

Durante o interrogatório, Rodrigo Lavandeira disse não se lembrar de onde vieram os disparos e que se preocupou em socorrer as vítimas após o tiroteio. Das 15 testemunhas que prestariam depoimento, somente sete delas foram ouvidas, sendo duas pela defesa.

Além de Rodrigo Lavandeira, também respondem pelo crime os PMs Washington Luiz de Oliveira Avelino, Marcos Duarte Ramalho, Paulo Marco Rodrigues 



Não será publicado.




Desejo Receber Informativos (não enviamos SPAM)





Janinha Pereira de Freitas Michelle Silveira de Moraes Milena dos Santos Nascimento Camila da Silva Moutinho José Cláudio Ribeiro da Silva Ana Cláudia Melo e Silva Simone de Campos Gomes Meira Fernandes Gelson Domingos da Silva Chacina de Vigário Geral Igor Barbosa George Alexandre Queiroz Lisboa Lavínia Azeredo de Oliveira Cauã Figueiredo de Mendonça Souza Sandro Antonio Cordon Verônica Torres da Fonseca Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento Fábio Luiz Carriço Cunha Fabrício Pinto da Costa Diniz Nicollas Maciel Franco Bruno Gitahy Zagootho
 
Blogger   Youtube   Facebook   Twitter   RSS