Gabriel Jatobá, 2 anos, foi brutalmente arrancado de sua família, após supostamente ter sido envenenado com "chumbinho" (veneno para matar ratos) por G., namorada de seu pai à época. Sua mãe, a psicóloga Aparecida Abreu Ferreira da Silva, ao mesmo tempo que ainda se emociona ao lembrar do garoto, que tinha dois anos, se revolta ao comentar que a acusada de cometer o crime tão bárbaro esteja impune até hoje.
Após ingerir o veneno, Gabriel Jatobá foi socorrido no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), onde passou por uma lavagem estomacal.
"A médica Lílian Guerra me contou que o montante de chumbinho extraído do estômago do meu filho não era condizente com a quantidade geralmente ingerida por crianças acidentalmente. Além disso, ele tinha marcas no pescoço, como se tivesse sido forçado a abrir a boca para tomar o veneno", disse a mãe.
"A lembrança que eu tenho dele é a de um menino muito alegre. Ele adorava motos. Sempre queria ficar em cima da moto do tio. Era um garoto que não falava tanto, mas que dizia muito só com o olhar. Sua força também era impressionante. Depois de ter sido envenenado com uma dose cavalar de chumbinho, ainda passou cinco dias em coma, lutando pela vida. É nesse exemplo que eu me agarro para continuar batalhando para que a justiça seja feita", disse a mãe, com os olhos marejados.
Gabriel Jatobá era o filho caçula de Aparecida. Depois de sete anos de relacionamento com o pai da criança, o bancário Mario Jatobá, ela diz que resolveu se separar, e o menino passou a ficar os finais de semana com o pai.
"Ele já estava namorando aquela mulher (G.) há uns dez meses e eu já havia lhe pedido para não deixar o Gabriel Jatobá sozinho com ela. Mas, na manhã do dia 14/06/1997, ele saiu para buscar um dos três filhos dela na casa de uma tia. Foi nesse momento que ela envenenou o meu filho com chumbinho", afirmou Aparecida, que diz ter certeza de que G. matou a criança por sentir ciúmes dela.
Depois de enterrar o corpo de seu filho no Cemitério Parque da Colina, Aparecida começou uma verdadeira batalha para que a mulher, a quem ela acusa pelo suposto crime, fosse condenada. Em 2003, G. foi sentenciada a 28 anos de prisão. Porém, em um novo julgamento, em 12/2005, a ré foi absolvida.
Acreditando que o corpo de jurados, composto por três homens e quatro mulheres, se comovera com o discurso do advogado de defesa Paulo Ramalho, Aparecida ficou revoltada, enquanto o promotor do caso, Ruben Viana, certo da culpa de G., resolveu recorrer contra a decisão do júri.
"Tenho certeza da culpa dela. Está mais do que evidente o envenenamento proposital da criança por parte da acusada", disse Viana.

Gabriel Jatobá, 2 anos, morreu após ingerir chumbinho em 14/06/1997. A acusada, na época, namorada do pai de Gabriel, foi inocentada no júri popular por 4 x 3. Rio de Janeiro-RJ.