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Gabriela
Prado Maia Ribeiro, de 14 anos, cresceu assustada com a violência e, por
ordem dos pais, quase não saia de casa. Ontem, a estudante ia pela primeira
vez pegar o metrô sozinha, na estação São Francisco Xavier, para
saltar uma estação depois, na Saens Pena, quando ficou no meio do fogo
cruzado entre um policial e bandidos que assaltavam uma bilheteria. Atingida
no lado direito do peito, Gabriela não resistiu e morreu.
Na mesma ação, dois policiais ficaram feridos. Quatro bandidos chegaram
à estação por volta das 15h30m. Dois deles renderam um bilheteiro e dois
ficaram na escada, dando cobertura aos cúmplices.Imagens gravadas pelo circuito
interno de TV do metrô mostram os dois assaltantes dentro da bilheteria
quando o policial civil Renato Lemos Naiff, de Brasília, se aproxima do
guichê. De acordo com a policia, ele teria ficado muito tempo observando
o movimento dos bandidos, o que provocou a suspeita deles. Um dos assaltantes
saiu da cabine, rendeu o policial e o revistou. Quando viu que ele estava
com uma arma, o ladrão deu dois tiros em Renato, atingindo-o na região lombar.
Em seguida, o detetive Luis Carlos Carvalho, da 17a. DP (São Cristóvão),
que descia a escada de acesso a estação, notou um dos bandidos na cobertura.
Quando ele tentou sacar a arma, o assaltante começou a |
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disparar. O detetive, baleado duas vezes, ainda trocou tiros com o criminoso,
mas havia outro marginal no alto da escada. Durante o confronto, uma bala
perdida atingiu Gabriela, que também descia a escada para entrar na estação,
onde havia pânico entre passageiros. A arma do policial não foi encontrada.
Depois de atingida, a estudante chegou a tentar fugir: subiu a escada e
caiu na calcada, já do lado de fora.
- Ela caiu. Quando eu a segurei, ela ainda estava respirando, mas não respondia
- disse a camelo Iradi do Nascimento.
Quatro estações ficaram fechadas.
Gabriela foi levada para o hospital do Andaraí, mas já chegou morta. Sua
mãe, a psicóloga Cleide do Prado Maia Santiago Ribeiro, esperava-a na Praça
Saens Pena e estranhou o atraso. Ao saber do assalto, avisou ao marido,
Carlos Ribeiro, que foi a estação, enquanto a mulher seguia para o hospital.
Ambos tiveram logo a certeza da morte da filha: ele encontrou os óculos
da adolescente na escada e ela recebeu a noticia no Andaraí.
Os dois bandidos que estavam na escada de acesso roubaram um Astra e fugiram.
Os outros dois fugiram pelas trilhas do metrô. O sistema teve de ser
desligado porque os trilhos são energizados e policiais fizeram buscas,
mas os marginais escaparam. Por causa do desligamento, as estações Estácio,
Afonso Pena, São Francisco Xavier e Saens Pena ficaram fechadas entre 15h43m
e 16h25m.
O policial de Brasília foi operado no hospital do Andaraí. Ferido na perna
e no ombro, o detetive da 17a. DP foi levado para o Prontocor na Tijuca.
Ambos não correm risco de vida.
Plano era fazer festa de 15 anos no mar.
Gabriela ganhou, ano passado, o premio de destaque do Colégio pH, na Tijuca,
por ser uma excelente aluna. Seu pai, o psicólogo Carlos Santiago Ribeiro,
de 45 anos, neste ano ia atender a um desejo de sua filha: alugar uma
escuna para que a filha comemorasse seu aniversario, em 30 de agosto,
navegando com a família e amigos em Angra dos Reis.
Quando eu entrar em casa e ver as coisas dela, sentir o cheiro dela, não
sei o que vai acontecer. Adianta nos queixarmos do governo? Adianta dizer
que estamos sitiados e entregues ao crime? Afinal, o que falta para que
alguém acabe com esta violência? - disse o pai.
Gabriela, filha única, gostava de flores e cristais. Parecia com a mãe,
a psicóloga Cleide Ribeiro, que e espiritualista. Praticava natação e ginástica
em uma academia da Tijuca, onde morava. Nos estudos, planejava cursar veterinária.
No hospital do Andaraí, Celyse do Prado Maia, tia de Gabriela, estava revoltada
com a falta de segurança:
- Pelo amor de Deus, nos salvem desse inferno.
Para a mãe, a morte de Gabriela deve servir para que outros jovens não sejam
vitimas da violência. Revoltada, ela dizia aos repórteres:
- Mostrem tudo porque talvez alguém tome uma providencia e jovens não continuem
morrendo inutilmente nas mãos de vagabundos
No fim da linha.
Inaugurado em 1979, o metrô foi durante anos uma ilha de segurança
entre os transportes coletivos do Rio. Enquanto o numero de assaltos a ônibus
aumentava, o metrô garantia uma viagem tranqüila a seus passageiros.
O quadro, no entanto, vêm mudando nos últimos anos. Somente este mês, foram
registrados três ações violentas de bandidos no metrô.
No ultimo sábado, bandidos fizeram um arrastão dentro do vagão. Cerca de
50 passageiros que viajavam na Linha 2 foram assaltados. No ultimo dia 8,
dois homens assaltaram a bilheteria de Del Castilho.
Arnaldo Mourthé, que foi presidente do metrô em duas épocas distintas
- antes e depois - acha que dois fatores contribuíram para a mudança do
quadro: o aumento da violência em todo o estado e a redução do pessoal,
inclusive na área de segurança, adotada pela concessionária.
Jornal: O GLOBO Autor: Michel Alecrim
Editoria : Rio
Tamanho: 933 palavras
Edição: 1 Pagina: 11
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Caderno: Primeiro Caderno
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